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Portugal mantém ideal de dois filhos, acima da média na Europa Ocidental

Portugal mantém ideal de dois filhos, acima da média na Europa Ocidental

A preferência dos portugueses quanto ao tamanho ideal da família tem-se mantido estável ao longo das últimas décadas, segundo um estudo da Gallup International Association, realizado em Portugal pela Intercampus.
De acordo com o inquérito, conduzido em 61 países de vários continentes. Na comparação europeia, Portugal surge ligeiramente acima da média no que toca à preferência por dois filhos. Na Europa Ocidental, 63% apontam este número como ideal e 13% preferem três ou mais. Em Portugal, os valores fixam-se nos 68% e 11%, respetivamente.
A nível global, 4% dos inquiridos consideram que o número ideal de filhos é zero. No Brasil, essa preferência passou de 3% em 1980 para 14% em 2025, o valor mais elevado de todos os países estudados. Nos Estados Unidos subiu de 3% para 10%, e na Bélgica de 6% para 9%. Em França passou de 3% para 6%, na Alemanha de 2% para 5%, e na Áustria de 1% para 5%. Em Portugal, esse valor manteve-se nos 3% ao longo de todo o período, uma estabilidade que contrasta com a tendência geral de crescimento do modelo de família sem filhos nas sociedades mais industrializadas.
Em contraciclo com a tendência de vários países desenvolvidos, a percentagem de portugueses que considera não ter filhos como ideal mantém-se inalterada desde 1980, fixando-se nos 3%. Esta estabilidade torna Portugal um caso incomum num contexto internacional onde esta preferência tem vindo a aumentar.
Para António Salvador, diretor-geral da Intercampus, “o que os dados portugueses revelam não é apenas uma preferência pelo modelo de dois filhos. Há também uma persistência de opinião no tempo, em relação a não querer ter filhos. Em dois momentos de medição separados por 45 anos, a percentagem de portugueses que apontam para um número ideal de zero filhos é a mesma (3%). Numa Europa onde esta preferência cresce de forma consistente, Portugal é um caso incomum. O valor registado é um dos mais baixos das economias ocidentais analisadas, e isso, por si só, é um resultado que merece atenção”.
No que diz respeito a famílias mais numerosas, 11% dos portugueses consideram ideal ter três ou mais filhos, ligeiramente abaixo dos 13% registados na Europa Ocidental. A nível global, este modelo continua mais presente, com 27% dos inquiridos a preferirem famílias maiores, sobretudo em regiões como África, Médio Oriente e Ásia Central.
O estudo analisa também a perceção sobre o crescimento populacional. Em Portugal, as opiniões dividem-se: 35% considera que a população cresce demasiado depressa, enquanto outros 35% entendem que não cresce o suficiente. Já 26% consideram o ritmo atual adequado.
A divisão contrasta com outras regiões. Na Europa Ocidental, predomina a perceção de crescimento excessivo, enquanto a nível global muitos consideram que a população não cresce o suficiente. Ainda assim, em várias sociedades desenvolvidas observa-se uma contradição entre essa preocupação e a preferência crescente por famílias mais pequenas.
Em Portugal, os dados indicam uma maior estabilidade. A preferência por dois filhos é transversal a todas as idades, embora mais acentuada entre os mais velhos. Por outro lado, os mais jovens revelam maior abertura a modelos familiares alternativos, incluindo a opção de não ter filhos.
A análise sociodemográfica mostra ainda que a preferência por famílias mais numerosas é mais frequente entre pessoas com menor nível de escolaridade e entre grupos com maior religiosidade.
No panorama internacional, os países com maior preferência por três ou mais filhos concentram-se sobretudo no Leste Europeu e no Médio Oriente, enquanto países como o Brasil e os Estados Unidos apresentam valores mais elevados de preferência por famílias sem filhos.
Os resultados sugerem que, apesar das mudanças sociais e demográficas, os portugueses mantêm uma visão estável sobre o modelo ideal de família.

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