Polícia turca invade sede do maior partido da oposição com gás e balas de borracha
A polícia invadiu hoje a sede do maior partido da oposição turca, o CHP, disparando gás lacrimogéneo e balas de borracha contra apoiantes e funcionários entrincheirados no interior do edifício localizado na capital da Turquia.
Imagens dos meios de comunicação social, captadas no pátio e no interior do edifício, mostraram nuvens de gás lacrimogéneo enquanto a polícia de choque invadia o local, antes de os jornalistas serem retirados.
Os ocupantes tentaram inicialmente resistir à polícia, utilizando extintores, mas foram rapidamente contidos, segundo o relato da Associated Press (AP), que dava ainda conta de portas, móveis e janelas do rés-do-chão destruídos.
O contingente policial cercou ao início do dia de hoje a sede do Partido Republicano do Povo (CHP), para destituir o seu líder, Özgür Özel, que tinha sido afastado do cargo na quinta-feira, e facilitar a entrada da equipa de Kemal Kiliçdaroglu, o antigo líder de 77 anos colocado de novo à frente do partido por ordem judicial.
Depois da entrada da polícia, Özel saiu do edifício sob os aplausos e vivas dos apoiantes concentrados no exterior.
“Estamos a sair [do edifício) agora apenas para o recuperar de uma forma que ninguém possa voltar a interferir. Quando regressarmos, nem esta administração nem os seus colaboradores se atreverão a fazê-lo novamente”, disse Özel aos jornalistas.
Özel e os seus apoiantes começaram em seguida a marchar em direção ao parlamento turco, a mais de cinco quilómetros da sede do CHP.
A tensão no seio do CHP vinha a aumentar desde quinta-feira, quando um tribunal de recurso anulou a eleição de Özel como presidente do CHP, ocorrida num congresso do partido em 2023, e a sua substituição por Kemal Kilicdaroglu, o seu antecessor, que liderou o partido durante 13 anos sem ganhar uma eleição nacional.
Após o início da operação policial, Özel publicou um vídeo de três minutos nas redes sociais, no qual afirmou: “Estamos sob ataque. O nosso crime? Tornar o nosso partido o número um da Turquia ao fim de 47 anos. O nosso crime? Derrotar o Partido da Justiça e Desenvolvimento”, numa referência ao AKP, do Presidente Recep Tayyip Erdogan, vencido pelo CHP nas eleições municipais de 2024.
“Resistiremos aqui até ao fim. E se nos retirarem à força, retomaremos a nossa marcha rumo ao poder nas ruas”, disse ainda.
Na sentença que destituiu Özel do cargo, ainda a ser objeto de recurso para o Supremo Tribunal da Turquia, deu-se como provada a compra de votos por delegados no congresso do partido em 2023, anulando assim os resultados, assim como os dos congressos seguintes, o que levou à substituição da liderança do partido.
Özel, apoiado pela grande maioria dos 138 membros do CHP no parlamento e pelos presidentes de câmara de pelo menos 12 capitais provinciais importantes, que assinaram entretanto um manifesto de apoio conjunto, considerou a decisão judicial como uma manobra política instigada pelo governo turco para enfraquecer o partido da oposição.
A próxima eleição presidencial está prevista para 2028, mas o presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, membro do CHP, e principal adversário de Erdogan, está preso desde março do ano passado e a ser julgado por acusações de corrupção.
Observadores afirmam que muitos processos judiciais contra o CHP — centrados em alegações de corrupção — visam neutralizar o partido antes das próximas eleições, mas o governo insiste que os tribunais da Turquia são imparciais e atuam independentemente das pressões políticas.
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