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Crescimento dos CTT “só foi possível trazendo tecnologia”, reconhece administrador

Crescimento dos CTT “só foi possível trazendo tecnologia”, reconhece administrador

Sendo uma empresa com mais de cinco séculos de existência, a passagem dos CTT da mera distribuição de cartas e encomendas para uma plataforma tecnológica e logística requereu uma dose considerável de tecnologia, explicou o administrador da empresa, que vê na capacidade de articular a componente de inovação com a qualidade dos recursos humanos a sua maior vantagem comparativa. Para ajudar na transformação, o papel da SAP foi determinante ao facilitar a compilação da informação e uma perspetiva mais integrada da sua operação.
Na conferência ‘Transportes e Logística 2030’, realizada esta segunda-feira pelo JE com o apoio da PRIO e da Pérez-Llorca, o administrador dos CTT, João Sousa, e o COO da SAP Portugal, José Tavares, tiveram oportunidade de explicar como o software ajudou a empresa postal a assumir uma operação cada vez mais complexa, sobretudo considerando o volume de encomendas resultantes do comércio eletrónico.
João Sousa começou por argumentar que os CTT se “afirmaram como uma empresa de plataforma tecnológica” à medida que cresceu a sua operação e, portanto, cresceu também a necessidade de lidar com um manancial de informação fragmentada e complexa. E lidar com tal, continuou, “só foi possível trazendo tecnologia”.
“Temos e conseguir ser rápidos e ágeis e isso só se consegue com tecnologia”, afirmou, explicando que, se “antes o know how estava na cabeça do carteiro, […] agora está na tecnologia”, a responsável por gerir etiquetas e planear rotas, a título de exemplo.
Ainda assim, o responsável dos CTT não tem dúvidas: “o nosso maior ativo são os recursos humanos, mas também os mais difíceis de transformar”.
“Trazer tecnologia para um conjunto de pessoas com hábitos e processos já estabelecidos foi a nossa maior conquista”, reconheceu, destacando que “as pessoas também começaram a perceber que estas ferramentas melhoram a sua qualidade de vida”, tornando a sua adoção mais fácil.
Nesta passagem para uma realidade mais digitalizada e de necessidades de gestão da informação, o papel do SAP foi crucial. Do lado da tecnológica, José Tavares começou por expor o que considera o maior desafio, o de uniformizar informação.
“Muitas das vezes, estes projetos aconteceram em momentos diferentes, com realidades distintas, […] e isso leva a fragmentação da informação”, referiu, e “quando temos fragmentação não temos uma imagem real e única” da posição da empresa. Este, continua, é o principal desafio das empresas, por oposição à recolha de informação, durante muitos anos apontado como central nas questões que as empresas tinham de responder na sua operação diária.
E, “aos dias de hoje, não há decisões de tecnologia sem o devido retorno ser mensurado”, garante.
Com o surgimento da inteligência artificial (IA) e um recurso cada vez maior às redes de distribuição, fruto da inclinação crescente dos consumidores pelo comércio eletrónico e a preferência por entregas rápidas que aproximem a experiência virtual do comércio em loja, torna-se cada vez mais importante a existência de controlos robustos, continua.
“Quando olhamos para a logística […] era sempre o tema da movimentação de mercadorias. Agora vai ser diferente, é a capacidade de tomar a decisão certa no momento certo. O que for automatizável será automatizado, é inegável”, atirou.
Mas “quanto maior for a criticidade de decisão do processo tecnológico, mais supervisão humana é necessária”, ressalva. “O tema de governo de AI é extremamente crítico”, rematou.

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