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Ana Calhôa, responsável da ABA: “Sempre que saem apoios, é tudo para o elétrico. Biocombustíveis estão sozinhos”

Ana Calhôa, responsável da ABA: “Sempre que saem apoios, é tudo para o elétrico. Biocombustíveis estão sozinhos”

A eletrificação já é e continuará a ser absolutamente incontornável no futuro da mobilidade mas não pode estar sozinha neste caminho. E essa realidade é especialmente visível nos transportes pesados. A posição foi transmitida por Ana Calhôa, secretária-geral da ABA — Associação de Bioenergia Avançada, na conferência “Special Report: Transportes e Logística 2030”, uma iniciativa do JE que teve lugar esta segunda-feira, no Tagus Park.
O painel “Que energia vai mover os transportes?, contou ainda com os contributos de André Lopes, administrador-executivo da Prio, Adelino Almendra, vice-presidente da ANTRAM — Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias e Joana Alves Abreu, Counsel da Pérez-LLorca.
Referindo-se ao Plano Nacional de Energia e Clima 2030, que define as metas do país para sustentabilidade e descarbonização, Ana Calhôa advertiu para o facto de representar uma “pressão enorme” e “já se percebeu que não pode haver uma só solução” e que a mesma “não pode passar apenas pela eletrificação”.
A eletrificação “é importante mas não vai conseguir acompanhar e é aí que entra a bioenergia que é essencial até porque têm sido os biocombustíveis que têm ajudado a descarbonizar”, defendeu Ana Calhôa.
“Nos transportes pesados, percebemos que a combustão move mais de 90% da frota e é importante perceber como é que se vai descarbonizar esse setor. É só necessário fazer uma adaptação no que diz respeito à bioenergia, não é preciso nenhuma revolução”, sublinhou.

Destacando a evolução no setor que conhece bem, Ana Calhôa refere que o mesmo está numa fase de grande evolução, realçando a existência de onze postos de biometano destinados aos pesados em Portugal. Mas advertiu que apesar de existir a infraestrutura, as mudanças não passam pelo apenas pela troca do tanque, já que têm que existir outras adaptações. E baseando-se no último relatório europeu, lamentou que só existam dois mil postos para veículos pesados na Europa.

Ana Calhôa garante perceber a aposta na combustão mas faz questão de salientar o “enorme” potencial dos biocombustíveis, até porque as empresas “têm que ser sustentáveis economicamente”: “Transformar o lixo em energia é uma medida impecável no que diz respeito à energia. É impossível que um dia tudo seja elétrico, têm que haver mecanismos para outras soluções e a impressão que dá é que os biocombustíveis andam a trabalhar sozinhos. Sempre que saem apoios é tudo para o elétrico”, lamentou.
E como estamos ao nível da capacidade instalada? “Estamos bem”, atesta Ana Calhôa. “Temos capacidade para utilizar a bioenergia e sabemos que vamos precisar de bioenergia. Temos metas para cumprir e temos que ser ambiciosos mas ainda se está a definir o que vai acontecer até 2040 e isso é muito importante para fazer escolhas”, sublinha a responsável.

Quando falamos de independência energética, Ana Câlhoa faz questão de referir que esta “não passa apenas pelo combustível fóssil” e apesar destes continuarem a ser essenciais para o nosso dia a dia, “temos que ter soluções”, finaliza.

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