PSI em queda em linha com Europa apesar da subida da Galp e BCP
O índice PSI encerrou a quarta-feira em baixa de 0,25%, nos 9.632,44 pontos, com uma queda de 24,27 pontos, num dia em que as principais bolsas europeias fecharam negativas pressionadas pela subida das yields soberanas e pelos receios de uma postura mais agressiva dos bancos centrais.
Entre as cotadas do PSI, as maiores subidas ficaram a cargo da Galp Energia, que avançou 2,79% para 22,45 euros, da Mota-Engil, com um ganho de 2,24% para 5,260 euros, e do BCP, que subiu 1,63% para 1,1865 euros. Do lado das perdas, a Energias de Portugal (EDP) recuou 1,87% para 4,764 euros, a Jerónimo Martins caiu 1,80% para 17,97 euros e a EDP Renováveis desvalorizou 1,74% para 12,99 euros. Sonae perdeu 1,42%, a NOS 1,37% e a REN 1,12%.
Na Europa, o Euro Stoxx 50 recuou 0,39% para 6.299,82 pontos. O Stoxx 600 caiu 0,37%. O FTSE 100, no Reino Unido, fechou quase estável em 10.705,26 pontos, com uma ligeira queda de 0,03%. O CAC 40 francês desvalorizou 0,39% para 8.123,41 pontos, o DAX alemão perdeu 0,66% para 25.410,63 pontos, o FTSE MIB italiano cedeu 0,21% para 51.987,49 pontos e o IBEX 35 espanhol recuou cerca de 0,24% para próximo dos 19.706 pontos.
Nas obrigações soberanas, as yields subiram de forma generalizada. A dívida alemã a 10 anos fixou a yield em 3,55%, com uma subida de 9,58 pontos base no dia. A portuguesa a 10 anos viu a yield avançar 12,24 pontos base para 3,94%. Nos Estados Unidos, a yield dos Treasuries a 10 anos subiu 11,86 pontos base para 5,08%.
As yields soberanas subiram em força na Europa e nos EUA, pressionando as ações. No plano geopolítico, o petróleo avançou apesar de contactos descritos como “muito bons” entre representantes dos EUA e do Irão à margem da Assembleia Geral da ONU. Paralelamente, mantém-se a atenção no próximo encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Washington.
Segundo o comentário de fecho do Millennium Investment Banking, “as bolsas europeias encerraram em baixa, num sentimento que é partilhado por Wall Street. A revelação de uma aceleração inesperada do ritmo de expansão da atividade na Zona Euro em setembro, que foi ainda mais vincada nos EUA, traz bons sinais para a economia, mas gerou receios de que desta forma seja mais difícil fazer recuar a inflação para a meta dos 2% ano traçada pela Fed e pelo BCE, o que pode levar a uma maior agressividade em movimentos de subida de taxas de juro. Como reflexo, as yields de dívida soberana subiram e castigaram o sentimento nos mercados de ações”.
“Isto no dia em que os preços do petróleo voltam a subir, apesar do encontro do Irão em solo americano, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, com Donald Trump a afirmar que os seus representantes tiveram conversas ‘muito boas’ com enviados iranianos. Entretanto o presidente chinês Xi Jinping chegará a Washington para um encontro com Trump”, referem os analistas.
“Por cá o PSI recuou 0,25%, com os ganhos mais expressivos de Galp e BCP a serem insuficientes para anular as perdas”, conclui a MTrader.
Os preços do petróleo subiram com força. O Brent avançou 3,30% para 102,53 dólares e o WTI ganhou 2,25% para 92,56 dólares.
A sessão foi dominada pelo contraste entre dados económicos robustos, com o PMI da Zona Euro e dos Estados Unidos a mostrar uma aceleração inesperada da atividade em setembro, e o receio de que essa força torne mais difícil o regresso da inflação à meta de 2%, abrindo a porta a uma postura mais agressiva dos bancos centrais.
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