Lisboa lidera no valor da remuneração declarada
A remuneração média declarada fixou-se nos 1.803,24 euros em julho, o que traduz uma quebra mensal de 12,9% em relação a junho, mas reflete um aumento de 4,7% em comparação com o período anual homólogo.
Lisboa e Aveiro lideram as regiões com os valores mais elevados da remuneração declarada.
Na capital, o valor situou-se em 2.021,41 euros e em Aveiro, nos 1.903,51. Já os valores declarados mais baixos foram em Beja: 1.428,06 euros e Bragança: 1.481,69 euros.
Os dados, da Segurança Social, foram trabalhados pela Randstad Research na análise do mercado de português, juntamente com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) de agosto de 2026. A empresa de recursos humanos alerta, no entanto, para que se faça uma leitura diferenciada das diferentes fontes estatísticas, uma vez que revelam dinâmicas distintas.
Em agosto, os pedidos de emprego tiveram uma queda mensal de 2.738 pedidos (-0,7%), de acordo com o IEFP. Embora o número de desempregados registados tenha sofrido um acréscimo mensal de 1,7% (+4.623 pessoas), trata-se do menor aumento registado num mês de agosto nos últimos cinco anos.
Face a agosto de 2025, o desemprego registado no IEFP manteve uma forte trajetória de queda, reduzindo-se em 9,3% (menos 27.915 pessoas), fixando-se num total de 273.723 pessoas nesta condição.
A diminuição foi transversal, mas sobressaiu na indústria, energia e construção, com uma contração de -10,8% e na agricultura: -16,4%. Já o aumento mensal foi maioritariamente impulsionado pelo setor dos serviços (+1,9%), área que absorve atualmente 69,3% do total de inscritos no serviço de emprego público.
Numa vertente distinta, as estimativas provisórias mensais do Inquérito ao Emprego do INE evidenciam um comportamento negativo do mercado no mês de agosto. O emprego recuou em 21.600 pessoas face a julho (-0,4%), fixando a população empregada nos 5.324.000 profissionais.
A população ativa também registou uma queda de 17.700 pessoas, fixando-se nos 5.648.500 ativos, o que justifica que a taxa de desemprego se tenha mantido estável nos 5,7%.
O número total de desempregados estimados pelo INE aumentou em 4.000 pessoas (+1,2% face a julho), atingindo as 324.600 pessoas. Este aumento do desemprego foi particularmente sentido nos homens (+5.500 pessoas) e nos adultos dos 25 aos 74 anos (+9.500 pessoas), enquanto o desemprego jovem teve uma quebra de 5.500 pessoas.
Segundo Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, a análise desagregada mostra que o mercado de trabalho está a passar por reajustes qualitativos muito interessantes: “A acentuada queda homóloga do desemprego na indústria e na construção reflete as dificuldades de recrutamento nestas áreas e o esforço das empresas para reter as suas equipas. Por outro lado, vemos aumentos pontuais de desemprego em setores altamente qualificados, como as tecnologias de informação e a consultoria científica e técnica. Isto sugere um reequilíbrio e uma normalização na procura de perfis tecnológicos após períodos de forte expansão, o que exige que continuemos a apostar fortemente na requalificação e adaptação das competências às necessidades reais das organizações.”
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