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Europa arrisca falta de combustível para aviões em três semanas

Europa arrisca falta de combustível para aviões em três semanas

Os aeroportos europeus arriscam falta de combustível para aviões no espaço de três semanas, revela hoje o “Financial Times”.
O jornal cita uma carta da Airports Council International Europe que avisa que há o risco “sistémico” de escassez de jet fuel.
Isto, se o estreito de Ormuz não for reaberto no espaço de três semanas.
A Europa tem uma dependência extrema do Golfo Pérsico, de onde vem 50% do jet fuel consumido na Europa.
Em Portugal, mais de 60% das importações  de combustível para aviões vem desta região. Mas o país produz 75% do jet que consome, importando 25% do total.
Os preços mais do que dobraram desde o início da guerra no Médio Oriente, depois do Irão ter fechado o estreito de Ormuz.
O Kuwait foi mesmo o maior fornecedor estrangeiro de Portugal de jet em 2024, com 241 mil toneladas. Na quarta posição, a Arábia Saudita forneceu 47 mil toneladas. Na segunda e terceira posições, surgem a Coreia do Sul com 112 mil toneladas e a China com 62 mil.
O país comprou 475 mil de toneladas equivalentes de petróleo (TEP) de jet fuel ao exterior em 2024, tendo consumido mais de 1,87 milhões de TEP, segundo os dados da Direção-Geral de Energia (DGEG).
Desta forma, 75% do jet consumido em Portugal tem origem na única refinaria nacional, a da Galp em Sines.
“Portugal pode ficar sem stocks de jet fuel daqui a quatro meses”, segundo uma análise da consultora Argus que analisou um cenário em que o país não consegue substituir o jet fuel que vinha da Golfo Pérsico.
O país é um dos que está mais em risco na Europa, a par do Reino Unido e da Dinamarca. Estes países estão “particularmente vulneráveis se o tráfego através do estreito de Ormuz permanecer efetivamente encerrado”.
No caso de Portugal, os stocks deverão ser suficientes para cobrir o período de primavera por a refinaria de Sines ter fechado para manutenção no final de 2025.
Em Portugal, as importações arrancam em meados de maio, principalmente do Médio Oriente. “Se o tráfego de petroleiros no estreito de Ormuz continuar sob restrições pesadas até lá, os stocks de jet fuel podem cair rapidamente”, alerta a Argus.
A aviação é crucial para o setor do turismo em Portugal. Em 2025, os aeroportos nacionais movimentaram mais de 73 milhões de passageiros, mais 5% face a 2024. O turismo é estratégico para a economia nacional, sendo responsável por 12% da produção de riqueza do país. Em 2024, contribuiu com 34 mil milhões de euros para a economia portuguesa.
A Ryanair já avisou para o risco de escassez de combustível de aviação na Europa no início de maio, caso a guerra continue e o estreito de Ormuz continue fechado.
“Os fornecedores de combustível estão sempre a olhar para o mercado. Não pensamos que haja alguma disrupção até ao início de maio, mas se a guerra continuar, corremos o risco de escassez de combustível na Europa em maio e junho. Pensamos que existe um risco razoável, entre 10% a 25% dos nossos abastecimentos estarem em risco em maio e junho”, disse recentemente Michael O’Leary em entrevista à “Sky News”.
Em Itália, a BP já emitiu um ‘notice to airmen’, um aviso às companhias aéreas, a alertar que vai haver restrições de combustível aos seus clientes nos aeroportos de Bolonha, Milão Linate, Treviso e Veneza, mas isto só afeta os clientes da companhia nestes aeroportos, havendo outras empresas a vender combustível.
Problema: o encerramento de refinarias na Europa ocidental está a colocar sob pressão o fornecimento de jet fuel.
Existem vários países onde a produção nacional cobre ou excede o consumo, como a Polónia ou a Grécia, ou que têm armazenamentos mais profundos, como a Irlanda, estão “melhor protegidos face a disrupções no abastecimento do Médio Oriente”.
“O conflito no Médio Oriente não deverá levar nenhum país europeu a ficar sem produtos petrolíferos totalmente porque os limites da guerra limitam apenas as importações. Mesmo os países com menos reservas têm algumas semanas de cobertura se perderem tanto a produção doméstica como importações. Mas os stocks nacionais podem cair para níveis baixos pouco confortáveis, levando a escassez localizada e a mudanças mais bruscas nos preços onde os stocks permanecem altos”, segundo a Argus.
A análise da consultora britânica destaca que os cenários têm em conta a possibilidade de o fornecimento do Médio Oriente não conseguir ser substituído.
Outros países debaixo de pressão são a Hungria (quatro meses), Dinamarca (seis meses), Itália e Alemanha (sete meses) e França e Irlanda (oito).
Os stocks normalmente caem na Primavera e no outono, com a paragem das refinarias para manutenção e sobem no verão quando aumenta a procura.
Mas as importações também flutuam sazonalmente, com grandes disrupções, a poderem afetar esta tendência.

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