André Lopes, Prio: “Empresas devem ser recompensadas por descarbonizar, talvez no IRC”
A descarbonização é definitivamente o caminho mas quanto mais se abrir o leque de soluções, mais vantajoso será para a competitividade das empresas e isso irá repercutir-se nos consumidores. Esta foi uma das principais ideias deixadas por André Lopes, administrador-executivo da Prio, na conferência “Special Report: Transportes e Logística 2030”, uma iniciativa do JE.
O painel “Que energia vai mover os transportes?, contou ainda com os contributos de Ana Calhôa, secretária-geral da ABA — Associação de Bioenergia Avançada, Adelino Almendra, vice-presidente da ANTRAM — Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias e Joana Alves Abreu, Counsel da Pérez-LLorca.
Porém, este longo caminho para a descarbonização deve ser feito através de vários incentivos e do lado das empresas, é necessário garantir que exista algum tipo de recompensa: “É importante que as empresas sejam recompensadas por descarbonizar, deve haver uma recompensa, talvez em sede de IRC”, sugere o responsável da Prio.
Relativamente à eletrificação, André Lopes destaca que a Prio tem essa oferta desde que entrou no mercado e compreende, no que diz respeito à frota de transportes pesados, “há que otimizar o custo benefício e há uma consciência de que a descarbonização é importante e as empresas procuram soluções sustentáveis, algo que a Prio responde em todos os postos”, garante.
No entanto, há que distinguir a transição das soluções e a Prio, sublinha, está aberta a todas as soluções porque grande parte da frota de pesados que existe neste momento vai cá estar nos próximos anos. Na gama dos pesados, “ainda há alguma pressão naquilo que é a definição das rotas e da rede de carregamento”.
“Há uns anos, o gasóleo era.o harém. se calhar, daqui a uns anos, a eletrificação pode ser ultrapassada por outra solução qualquer. Portanto, o que é importante é ajudar a trabalhar em todas as soluções”, destaca.
Aquilo que André Lopes qualificou de “eletrificar por decreto”, acaba por ser “estranho” já que pode significar um “afunilar de soluções”. “Descarbonizar é responsabilidade de todos mas tem que se ampliar o mosaico de soluções. Não acho possível que só a eletrificação resolva, espectro temporal exige que nos foquemos noutras soluções”, realçou.
“As soluções estão aí e temos soluções só para frotas mas acreditamos que temos que ter isto em regime de venda livre para, por exemplo, um comercial que faça muitos quilómetros. Temos que ter produtos acessíveis para estimular a competitividade. Os custos são dantescos para as empresas e é importante que o país não perca competitividade”, garante.
André Lopes explicou que a Prio tem um plano de expansão para a sua rede: “No carregamento elétrico, já chegámos a fazer investimentos no meio do nevoeiro, digamos assim. Vamos fazer investimento no elétrico e em soluções líquidas na mesma ordem de grandeza para descarbonizar ao mesmo nível”.
“Os licenciamentos são demorados mas quando isso se cruza com a vida das pessoas, convém ser mais ágil e mais célere. A força do consumidor, a intervenção da academia e a escolha das empresas deve imperar naquelas que são as soluções futuras. Portugal tem que ter as suas ferramentas para não estar tão dependente: qd houve disparo dos preços, conseguimos reduzir o preço do B15 porque a produção é nacional e temos esse controlo”, concluiu.
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