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China e EUA procuram entendimentos antes da chegada de Xi Jinping a Nova Iorque

China e EUA procuram entendimentos antes da chegada de Xi Jinping a Nova Iorque

A visita de Estado oficial do presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos terá início esta quarta-feira (23 de setembro) com uma cerimónia de boas-vindas e um jantar de Estado, mas as duas maiores potências económicas do mundo há vários dias que se reúnem para acertar uma estratégia comum em várias áreas. Comércio e tarifas – nomeadamente a possibilidade de uma extensão da trégua na guerra comercial que expira a 10 de novembro – tecnologia Inteligência Artificial (IA) e geopolítica e conflitos (tensões em Taiwan e guerras na Ucrânia e no Médio Oriente já foram abordados por altos responsáveis das duas administrações.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reuniu-se no domingo, 20 de setembro, com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, num encontro bilateral que aconteceu em Nova Iorque. Foram oito horas em que os dois governos discutiram a segurança da IA para pavimentar o caminho antes da chegada do presidente chinês a Washington. Scott Bessent, classificou o encontro como “muito bem-sucedido” e de “extrema importância” para a estabilidade global. Sendo as ameaças comuns a ambos, o secretário de Estado afirmou que os Estados Unidos procuram estabelecer “uma visão partilhada” que sirva de resposta às ameaças dos avanços tecnológicos.
Nesse contexto, ambos acordaram o estabelecimento de mecanismo de notificação de segurança. Bessent explicou que os Estados Unidos propuseram formalmente a criação de um sistema mútuo de alertas e comunicações sobre IA, que permita a deteção de potenciais “incidentes ou instâncias que atinjam o nível de segurança nacional através da IA”. E adiantou que as duas maiores potências do mundo decidiram avançar com a criação de um fórum permanente de discussões técnicas sobre o tema.
Bessent enfatizou, por outro lado, o peso das duas nações no setor ao declarar que “consideramos que, tal como em qualquer atividade transfronteiriça, passar da opacidade para uma maior transparência entre a primeira e a segunda potências mundiais de IA é muito importante”. O resultado destas conversações e a proposta de segurança em IA foram desenhados para servir de base e ser formalmente analisados, e com certeza assinados, no encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. O vice-primeiro-ministro chinês optou por não falar publicamente no final do encontro.
O encontro entre os dois foi acompanhado pelo Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, serviu ainda na tentativa de resolver aspetos práticos da relação económica e comercial entre os dois países. As duas delegações debateram a operacionalização do designado ‘Conselho de Comércio’, cujo objetivo é identificar um grupo de produtos não sensíveis que possam beneficiar de taxas alfandegárias reduzidas. Pelo lado chinês, o pacote a incluir nessa redução é composto por bens de consumo e produtos de baixa tecnologia. Do lado norte-americano, foram propostos setores como energia, produtos agrícolas e dispositivos médicos.
Outra área muito sensível e a dos minerais críticos, onde os Estados Unidos surgem numa posição muito desfavorável que não podem reverter – dado que parte substancial destes minerais se encontra em solo chinês. Washington voltou a pressionar Pequim sobre o fornecimento e as restrições à exportação de ímanes de terras raras e outros minerais essenciais, fundamentais para indústrias que vão desde o setor automóvel até aos semicondutores avançados. Mas, no final do encontro, a declaração de Bessent foi omissa nesta matéria, o que pode querer dizer que os resultados foram poucos.
O principal negociador comercial da China, Li Chenggang, adiantou entretanto que o grupo de trabalho técnico já tinha agendada uma nova reunião de acompanhamento para esta segunda-feira (21 de setembro), com o objetivo de dar andamento aos pormenores discutidos no domingo.
Os analistas antecipam, por outro lado, que os dois líderes deverão concordar na extensão da trégua comercial, esperando-se que seja prolongada para garantir estabilidade económica a curto prazo. A institucionalização do Conselho de Comércio parece merecer poucas dúvidas uma vez que o objetivo é estabelecer um canal permanente para rever e reduzir tarifas sobre bens não estratégicos é favorável às duas partes. Espera-se ainda a formalização do compromisso da China em adquirir aviões da Boeing (chegou a falar-se em 200 aeronaves) e aumentar as importações de bens agrícolas dos EUA em 17 mil milhões de dólares anuais.
Pelo seu alcance, o Conselho de Comércio pode vir a ser um dos acordos mais importantes entre as duas economias. Este mecanismo, detalhado por Scott Bessent, surge como uma tentativa de evitar que a corrida tecnológica resulte num conflito militar ou de cibersegurança. Prevê um mecanismo de alerta rápido para notificar incidentes críticos de IA que possam ameaçar a segurança nacional de qualquer um dos países, e reuniões técnicas periódicas entre equipas dos dois lados, constituídas por cientistas, reguladores e oficiais de defesa. O fórum tentará alinhar padrões mínimos de segurança para impedir o uso de IA em infraestruturas críticas ou em armamento autónomo sem supervisão humana.
Recorde-se que, de 13 a 15 de maio passado, Trump esteve na China – depois de adiar a visita por causa de guerra no Irão. Mas os resultados do encontro ficaram aquém do esperado: serviu para estabelecer as bases da cooperação e do Conselho de Comércio, que estão a ser discutidos agora, mas não foram tão longe como era esperado.

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