Governo lança programa nacional para travar expansão de alga invasora até 2030
O Governo aprovou o Programa de Ação Nacional para o Controlo da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae para o período 2026-2030, com o objetivo de monitorizar, conter e mitigar os impactes desta espécie no litoral português.
O programa, anunciado esta segunda-feira, 21 de setembro, concretiza a Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora, aprovada em julho de 2025, e resulta do trabalho de um grupo interinstitucional coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente, que reuniu organismos da Administração Pública, autarquias, instituições científicas e outras entidades.
A Rugulopteryx okamurae é uma alga castanha originária do Pacífico Norte, incluída na lista de espécies exóticas invasoras que suscitam preocupação na União Europeia. Em Portugal continental, os primeiros registos no Sul datam de 2021, com posterior expansão pelo Algarve e pela costa alentejana, tendo sido detetada ao largo de Cascais em 2024. Nos Açores, onde foi identificada pela primeira vez em 2019, já tinha chegado a oito das nove ilhas em 2024.
Devido à elevada capacidade de dispersão e proliferação, a alga tem impactes significativos nos ecossistemas marinhos e nas atividades económicas dependentes do litoral, nomeadamente na diminuição das capturas, nos danos nas artes de pesca e no tempo necessário para a sua limpeza, na perda de atratividade das praias e nos custos acrescidos suportados pelas autarquias com a remoção da biomassa acumulada.
“Estamos perante uma espécie invasora que já tem uma presença significativa e que exige uma resposta coordenada e sustentada. Este Programa permite-nos passar de intervenções pontuais para uma atuação nacional, assente na ciência, na prevenção, na deteção precoce e na capacidade de resposta no terreno. Queremos proteger os ecossistemas marinhos e, ao mesmo tempo, reduzir os impactes sobre os pescadores, as autarquias, o turismo e as populações. Sabemos que, nesta fase, não é realista prometer a erradicação desta alga, mas podemos estar mais bem preparados, atuar mais depressa e procurar soluções inovadoras e sustentáveis para a valorização da biomassa recolhida”, afirma a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
Uma vez que a erradicação é considerada praticamente impossível devido às características da espécie e ao grau de disseminação já alcançado, a atuação vai concentrar-se em prevenir o desenvolvimento em novas localizações, através da deteção precoce e da atuação imediata, e em minimizar os impactes nas zonas onde já se encontra instalada.
Para reforçar a capacidade de antecipação, o programa prevê a criação de uma Base de Dados Nacional Georreferenciada em formato WebGIS, a instalação de estações de vigilância em pontos estratégicos, o recurso a sensores subaquáticos e câmaras remotas em zonas críticas, a utilização de imagens de satélite e de veículos aéreos não tripulados, bem como um sistema de alerta precoce e o desenvolvimento de algoritmos de deriva baseados nas correntes e nos ventos.
No terreno, as soluções serão adaptadas às características e à sensibilidade de cada local, e passam pela remoção manual e mecânica, pela extração na coluna de água e pela instalação de barreiras de contenção ou de deflexão, estando também previstos procedimentos para o transporte estanque e o armazenamento temporário em terra da biomassa recolhida.
A investigação e a inovação constituem outra das áreas centrais, com o desenvolvimento e teste de métodos de remoção sustentável, a avaliação dos impactes ambientais e económicos, ensaios de restauro ecológico dos ecossistemas após a remoção e o estudo do potencial de valorização da biomassa, incluindo a sua caracterização bioquímica e estudos de pré-viabilidade para unidades de processamento local.
O programa pretende ainda reduzir o risco de propagação para novas zonas, tendo sido identificadas como potenciais vias de disseminação as águas de lastro, as incrustações nos cascos de embarcações, os equipamentos de pesca, a aquicultura e a dispersão natural, para as quais estão previstas ações de formação, sensibilização e códigos de boas práticas dirigidos aos setores envolvidos.
Está igualmente prevista uma vertente de comunicação, sensibilização e ciência cidadã, com uma plataforma nacional de informação e registo, sinalização em marinas, portos e zonas de mergulho e materiais informativos para praias e zonas balneares, além de ações dirigidas às comunidades piscatórias, operadores turísticos, aquicultores e praticantes de atividades náuticas e da criação de um canal de comunicação com Espanha e outros países onde ocorre esta alga invasora para reforçar a partilha de informação e a cooperação.
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