Juros da dívida pressionam OE 2027 e Capitalizar alerta empresas para custos de financiamento
O aumento dos encargos com juros da dívida pública previsto para 2027 poderá reduzir a margem de manobra do Estado e manter a pressão sobre as condições de financiamento da economia, alerta a consultora Capitalizar. A empresa recomenda às empresas, sobretudo às PME, que antecipem necessidades de financiamento e revejam a sua estrutura de dívida.
Segundo as projeções do Ministério das Finanças, os encargos com juros da dívida pública deverão aumentar 776 milhões de euros em 2027 face a 2026, depois de o Estado prever gastar cerca de 7,1 mil milhões de euros em juros este ano. A concretizar-se, será o sexto ano consecutivo de aumento desta despesa desde a pandemia.
O tema ganha maior relevância num momento em que as taxas exigidas pelos investidores pela dívida portuguesa voltaram a subir. A 15 de setembro, a yield das obrigações portuguesas a dez anos atingiu 3,922%, o valor mais elevado desde março de 2017, enquanto as taxas a dois e cinco anos atingiram máximos desde 2013 e 2014, respetivamente.
Para a Capitalizar, a evolução dos juros deve ser analisada pelo seu potencial impacto sobre o financiamento da atividade empresarial. A consultora considera ainda que a subida dos encargos financeiros do Estado poderá limitar a capacidade para lançar novas medidas de incentivo fiscal ou de apoio às empresas.
Empresas devem antecipar decisões de financiamento
“O aumento do custo da dívida pública é um sinal de que o contexto financeiro mudou e que as empresas não devem assumir que o acesso ao financiamento continuará a ser feito nas mesmas condições dos últimos anos. Para as PME, esta realidade torna ainda mais importante antecipar necessidades de tesouraria, rever a estrutura de financiamento e avaliar o custo efetivo da dívida existente”, analisa José Pedro Pais, Partner da Capitalizar.
Num cenário de maior incerteza sobre a trajetória das taxas de juro, a Capitalizar recomenda às empresas uma abordagem mais preventiva à gestão financeira, sobretudo às PME com maior exposição a financiamento bancário.
Entre as prioridades deverá estar a revisão das condições dos financiamentos existentes, a avaliação da estrutura e maturidade da dívida, a antecipação das necessidades de liquidez e o planeamento financeiro a médio prazo.
“A gestão da dívida deixa de poder ser vista apenas como uma questão financeira ou de tesouraria. Num contexto de juros mais elevados e maior pressão sobre as contas públicas, passa a ser uma componente estratégica da gestão empresarial. Antecipar a necessidade de financiamento e negociar condições antes de existir pressão sobre a tesouraria pode fazer uma diferença relevante na capacidade de uma empresa investir e crescer”, adverte José Pedro Pais.
A evolução dos juros da dívida pública constitui um indicador relevante para as empresas acompanharem, num momento em que a preparação do Orçamento do Estado para 2027 decorre sob maior pressão dos encargos financeiros, defende a Capitalizar.
O Banco de Portugal salienta que o custo aparente da dívida portuguesa, apesar de ter diminuído de 5,8% em 2000 para 2,3% em 2025, tem vindo a ser condicionado pela evolução das condições de financiamento.
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