Portugal fica atrás de Espanha e Alemanha no controlo dos custos tecnológicos
Apenas 47% das organizações portuguesas afirmam ter uma visão completa dos custos tecnológicos, incluindo custos indiretos e obrigações futuras. Isto, apesar de investirem cada vez mais em tecnologia.
Estes 47% dizem ter uma visão completa dos custos tecnológicos, contabilizando não apenas infraestrutura, software e serviços, mas também os custos indiretos e os compromissos futuros.
O resultado coloca Portugal abaixo da Alemanha, com 71%, e de Espanha, com 56%, embora acima dos Países Baixos, onde essa percentagem se fixa nos 35%.
A conclusão consta do Tech Reality Check 2026, estudo anual da Conclusion que analisa a realidade digital das organizações em Portugal, Alemanha, Espanha e Países Baixos, com foco no controlo dos custos tecnológicos, soberania e resiliência digital, colaboração em ecossistemas de dados e adoção da Inteligência Artificial.
O primeiro estudo anual da Conclusion sobre a maturidade digital na Europa, revela que no ranking da transparência financeira, Portugal fica a meio da tabela. A Alemanha lidera destacada, com 71% das organizações a reportarem controlo total sobre os custos. Segue-se Espanha, com 56%, Portugal com 47% e, por último, os Países Baixos, com apenas 35%.
A investigação ouviu mais de 1.000 decisores de TI – entre CIO, CTO e outros responsáveis – em Portugal, Alemanha, Espanha e Países Baixos.
O estudo revela ainda um paradoxo: embora a profundidade da análise varie, 85% das organizações nos quatro mercados consideram ter uma visão amplamente ou totalmente completa quando o critério é o Total Cost of Ownership (TCO). É quando se entra nos custos escondidos que as diferenças se acentuam.
“Ter visibilidade sobre os custos da tecnologia não significa apenas saber quanto se investe em infraestrutura, software ou serviços. É fundamental compreender também os custos indiretos, os compromissos futuros e o valor que esses investimentos geram para o negócio. Sem essa leitura, torna-se mais difícil definir prioridades, comparar alternativas e tomar decisões tecnológicas de longo prazo”, afirma Célia Vieira, Managing Director da Conclusion Iberia.
O estudo mostra que as empresas portuguesas são as mais pragmáticas na hora de decidir onde investir. Em Portugal, 51% apontam o desempenho técnico como principal critério de investimento e 46% o contributo para os objetivos de negócio – em ambos os casos, os valores mais elevados entre os quatro países analisados.
No entanto, essa orientação para resultados concretos não é acompanhada por uma visão integrada de risco e dependências.
Apenas 46% das organizações portuguesas dizem ter uma visão completa das dependências críticas da sua infraestrutura tecnológica, o valor mais baixo entre os mercados analisados. Ao nível dos riscos associados às diferentes jurisdições – onde os dados estão alojados e que leis se aplicam – só 32% dos inquiridos em Portugal referem tê-los integrado em grau muito elevado, novamente o valor mais baixo do estudo.
Em contrapartida, no tema da soberania digital, Portugal alinha com a média europeia: 49% das organizações afirmam já ter uma política ativa nesta área.
Para a Conclusion, multinacional de origem Benelux com operação nas regiões DACH e Ibérica focada em transformação empresarial e de TI, os resultados mostram que as empresas portuguesas sabem adotar tecnologia, mas precisam agora de ganhar maturidade na gestão.
O desafio, conclui o estudo, passa por garantir que a capacidade de adoção tecnológica seja acompanhada por maior visibilidade financeira, controlo operacional e capacidade de avaliar o valor real gerado pelos investimentos ao longo do tempo.
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