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Xi e Trump deverão procurar distensão para evitar nova guerra comercial

Xi e Trump deverão procurar distensão para evitar nova guerra comercial

A aguardada reunião entre os Presidentes da China e dos Estados Unidos deverá decorrer esta semana num clima de distensão, com ambos os líderes interessados em evitar o regresso a uma guerra comercial aberta, segundo o analista Jörg Wuttke.
“Haverá uma redução de tarifas em determinados setores, facilidades para o comércio (…) e algum tipo de acordo sobre inteligência artificial [IA], que provavelmente será ‘falaremos sobre isto mais tarde’”, antecipou o sócio da consultora DGA-Albright Stonebridge, num encontro com jornalistas organizado em Xangai pela Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China.
Wuttke, com quase três décadas de experiência empresarial na China e que presidiu àquela câmara em três períodos distintos, afirmou que os Estados Unidos vão procurar mais compras das chamadas “três B” – carne de bovino (‘beef’), leguminosas (‘beans’) e aviões Boeing – e mais investimento.
Neste último domínio, porém, vê “muito pouco apetite” por parte de Pequim, perante uma situação de “falta de confiança”.
O analista considerou certo que as duas partes vão prolongar a trégua comercial acordada no ano passado e que termina em 10 de novembro, restando apenas saber por quanto tempo.
“A China quer que seja até ao fim [do mandato] de Trump e os Estados Unidos querem seis meses”, afirmou.
Em todo o caso, nem Pequim nem Washington “têm interesse em que isto lhes expluda na cara”, acrescentou.
Wuttke considerou que a cimeira poderá traduzir-se numa espécie de troca de concessões.
“Xi aprecia que Trump esteja a travar legislação negativa para a China (…) e [os chineses] sabem que Trump precisa de algo concreto, sobretudo antes das eleições intercalares”, afirmou.
Questionado sobre se Pequim tentará pressionar Washington relativamente à guerra com o Irão, devido ao impacto nos mercados energéticos, Wuttke citou uma fonte de alto nível na região do Golfo Pérsico, que resumiu a posição chinesa da seguinte forma: “Querem estabilidade, mas não responsabilidade”.
“A China não gosta da guerra, claro. (…) Mas é um dos países menos afetados”, acrescentou.
O analista apontou as reservas de petróleo chinesas, suficientes para mais de 200 dias, o facto de o consumo ter atingido um pico há dois ou três anos, devido à aposta nos veículos elétricos e nas energias renováveis, e a segurança do abastecimento de petróleo e gás através das ligações à Rússia e Ásia Central.
Sobre a IA, um dos mais recentes focos de tensão entre as duas potências, Wuttke considerou que Pequim vai concentrar-se no acesso a semicondutores avançados, face às restrições impostas por Washington.
Quanto às vendas de armas norte-americanas a Taiwan, um dos tradicionais pontos de discórdia entre Pequim e Washington, Wuttke considerou que “Trump não tem intenção de romper os acordos” existentes.
“Pequim fará barulho e depois seguirá em frente”, antecipou.
Segundo Wuttke, o principal problema não será a assinatura de acordos de venda de armamento a Taipé, mas eventuais limitações no fornecimento, devido ao elevado consumo de munições na guerra com o Irão.

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