A carregar agora

Afinal, franceses querem ir a jogo para substituir F-16

Afinal, franceses querem ir a jogo para substituir F-16

Está desfeito o tabu. Afinal, os franceses que produzem o caça Rafale querem mesmo ir a jogo para substituir os F-16 da Força Aérea Portuguesa.
A Dassault Aviation tem-se mantido fora dos holofotes, ao contrário dos seus rivais que têm demonstrado interesse público em fornecer os novos caças portugueses.
A partir de agora, a corrida para renovar os F-16 conta oficialmente com quatro concorrentes: os norte-americanos da Lockeed Martin que produzem os F-35, os suecos da SAAB com o Gripen, o consórcio europeu Eurofighter com o Typhoon e os gauleses da Dassault Aviation.
A companhia de defesa gaulesa realizou em julho uma “apresentação oficial de uma proposta” ao Governo português e à Força Aérea Portuguesa para o Rafale substituir os F-16 e revelou publicamente na quarta-feira o seu interesse na corrida.
A entrada do concorrente gaulês teve lugar na quarta-feira, 23 de setembro, que assinou um memorando de entendimento (MoU) com a AED Cluster Portugal, que junta as indústrias nacionais da Aeronáutica, Espaço e Defesa.
A ideia é explorar “potenciais áreas de cooperação entre os parceiros do Rafale e o setor industrial português, no contexto da renovação da frota de F-16 da Força Aérea Portuguesa”, incluindo também as empresas Thales e Safran.
O acordo foi assinado na quarta-feira na Embaixada de França em Lisboa com a presença do embaixador francês Jean-Pierre Asvazadourian.
“Este MoU demonstra o compromisso por parte dos parceiros do Rafale que se encontram estabelecidos no país em desenvolver a relação existente e em aprofundar a cooperação com o Cluster Portugal e os parceiros industriais portugueses, a fim de impulsionar a economia nacional e reforçar a soberania do país”, segundo o comunicado da AED liderada por José Neves.
A Dassault Aviation entregou mais de 10 mil aviões em mais de 90 países ao longo dos seus 110 anos de história.
Com 15 mil trabalhadores, registou receitas de 7,4 mil milhões de euros em 2025.
Indústria portuguesa preparada para fornecer fabricantes mundiais de caças
Portugal tem capacidade para fornecer os maiores fabricantes mundiais de caças de aviões de combate, defende o setor nacional de indústria aeronáutica.
Vários dos maiores construtores mundiais já revelaram que estão interessados em participar no futuro concurso, ainda sem data, para fornecer os substitutos dos F-16.
Nesta lista constam a norte-americana Lockheed Martin, produtora dos F-35, a sueca Saab, que produz os Gripen, e o consórcio Eurofighter, que fabrica os Typhoon.
Todas estas fabricantes, sem exceção, têm prometido integrar a indústria nacional na produção de componentes para os seus caças ou para os seus produtos.
“Garantidamente que sim”, afirmou ao JE José Neves – líder da AED, associação que junta o setor nacional da aeronáutica e defesa – em junho quando questionado se a indústria portuguesa está preparada para integrar a cadeia de valor destas companhias.
“Temos empresas portuguesas neste momento a exportar drones, a satélites, sistemas de comunicação. Temos um mercado e capacidade industrial que não tínhamos há dez anos”, destacando a subida do investimento em defesa para 2% do PIB.
Destacando a presença da Lockheed Martin, Airbus e Saab no evento para “darem a conhecer as suas valências e conhecerem ainda melhor o ecossistema português, exatamente para no futuro poderem trabalhar com estas empresas e com esse ecossistema”.
Sobre os principais mercados de exportação de Portugal neste setor, José Neves destaca a Europa, mas também a OGMA que exporta para o Brasil componentes do KC-390, empresas que vendem para a Boeing nos Estados Unidos, outras que estão a vender para o Canadá.
Ao mesmo tempo, “temos empresas na área de drones neste momento a produzirem exportarem também para o Médio Oriente. Em resumo, “temos literalmente um mercado global. Uma vez que o mercado interno português é muito pequeno, as empresas têm de se projetar rapidamente para o exterior… têm de ter uma grande competitividade”.
Questionado se a guerra no Médio Oriente aumentou a procura por equipamento de defesa pelos países do Golfo Pérsico, José Neves diz: “A resposta é sim e não. Ainda antes desta guerra, estivemos no Dubai em novembro onde a presença de várias empresas portuguesas, tanto na área de drones como na área de sistemas de comunicação, como na área de software e de estruturas. Já olhavam para este mercado com especial apetite”.
“Naturalmente, o cenário neste momento faz com que os países nessa zona do globo tenham uma urgência maior na aquisição de produtos”, afirmou, apontando que Portugal já tem “produtos desenvolvidos e testados em cenário operacional…”, segundo o líder da AED.
Sobre a subida do orçamento da defesa para 2% do PIB, diz: “não queremos gastar em defesa, queremos investir em defesa. Investir na defesa significa envolver cada vez mais as empresas portuguesas no desenvolvimento tecnológico. Implica cada vez mais apostar no talento português a promover valor em Portugal que promova também exportações, valor acrescentado. O grande desafio não é o valor, mas a qualidade desse investimento em defesa”, rematou José Neves.

Share this content:

Publicar comentário