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PCP quer mais esclarecimentos sobre reservas de combustível e critica “política da porcelana”

PCP quer mais esclarecimentos sobre reservas de combustível e critica “política da porcelana”

O secretário-geral do PCP quer mais esclarecimentos do Governo sobre a mobilização de parte das reservas estratégicas nacionais de combustível para França e criticou, esta sexta-feira, os “partidos da política de porcelana” por rejeitarem taxar lucros.
Em declarações à agência Lusa, à margem de uma iniciativa em Loures, Paulo Raimundo adiantou que o PCP submeteu hoje no parlamento uma pergunta dirigida ao Governo de Luís Montenegro, questionando: “Quem é que pagou os custos da retirada do armazenamento de crude e de petróleo que tínhamos na refinaria de Matosinhos”.
“Quem é que está a pagar a manutenção de todo esse processo? E quem é que vai pagar, quando for necessário ir buscar a França esse petróleo para Portugal? Quem vai pagar isto tudo? É o Estado? É cada um de nós? Ou a Galp tem alguma coisa a ver com isso também do ponto de vista da comparticipação?”, questionou o secretário-geral comunista.
Na quinta-feira, após dúvidas levantadas pelo secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, explicou que Portugal se viu obrigado a enviar uma parte das reservas estratégicas de combustível para França por falta de capacidade de armazenamento no país, afirmando que o encerramento da refinaria de Matosinhos em 2021 reduziu a capacidade de armazenamento de crude e combustíveis.
Paulo Raimundo quer saber “quais são os custos, quem paga”, porquê é que o país chegou à situação atual “e se o Governo de facto procurou todas as possibilidades no território nacional de reter essa reserva”.
O secretário-geral comunista avisou ainda que “uma multinacional, neste caso espanhola” pretende adquirir “a única refinaria que o país tem, que é a refinaria de Sines”.
“E o Governo sobre isto não diz nada? O PS sobre isto não diz nada? Estão preocupados com a reserva estratégica, não estão preocupados com aquilo que pode acontecer amanhã, que é ficarmos sem nenhuma possibilidade, tendo reservas, de poder refinar?”, alertou.
Numa semana marcada pelos debates no parlamento acerca do aumento do custo de vida, com dezenas de iniciativas chumbadas, Paulo Raimundo criticou “os partidos da política de porcelana”, nos quais incluiu PS e toda a restante direita parlamentar.
Na ótica do líder comunista, estas forças políticas “querem falar de tudo, querem manter a porcelana toda intacta e querem afastar da sala, da discussão, o elefante”, que são os lucros extraordinários.
Paulo Raimundo acusou estes partidos de focarem o debate na redução dos impostos, problema que não desvalorizou, mas que considerou insuficiente para resolver a questão.
Numa intervenção perante alguns apoiantes que se juntaram junto ao mercado do Catujal, concelho de Loures, Raimundo insistiu na fixação da botija do gás nos 20 euros e apelou a uma mobilização popular e um “movimento de exigência” para responder a esta questão.
“Ainda esta semana foi um regabofe, discussões eternas, chamaram nomes uns aos outros, tudo a falar do custo de vida, tudo a falar dos combustíveis, dos alimentos, das casas, mas a política da porcelana quer manter o elefante fora da sala: é os 1.312 milhões de euros de lucro da Galp, aos que se juntam os 260 milhões de lucros do grupo do Pingo Doce, os 800 milhões da EDP, ou os quatro milhões de lucros por dia da banca”, criticou.

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