Moody’s melhora perspectiva de Angola para positiva e mantém rating em B3
A agência de notação financeira Moody’s Ratings alterou, no dia 25 de setembro de 2026, a perspetiva (outlook) da República de Angola de estável para positiva e reafirmou os ratings de emissor de longo prazo em moeda estrangeira e local, bem como os ratings de dívida sénior não garantida, em B3.
A decisão, anunciada pela agência, assinala uma melhoria na avaliação do risco soberano angolano e indica que a Moody’s considera agora mais provável uma eventual subida do rating nos próximos 12 a 18 meses, caso a trajetória atual se mantenha.
A mudança ocorre num momento em que Angola regista progressos significativos no plano macroeconómico. A inflação anual desceu para 8,78% em agosto de 2026 — o valor mais baixo desde 2015 —, permitindo ao Banco Nacional de Angola reduzir a taxa de juro de referência para 14,75%, o nível mais baixo desde 2016. O banco central reviu também em alta a previsão de crescimento do PIB para 2026, colocando-a em 6,15%, impulsionada sobretudo pelo desempenho do setor não petrolífero.
A Moody’s terá tido em conta a consolidação orçamental em curso, a redução da dívida pública em percentagem do PIB, a melhoria das reservas internacionais e os esforços de diversificação económica, incluindo o reforço da produção agrícola, mineira e de infraestruturas (como o Corredor do Lobito). Estes fatores contribuem para uma maior resiliência face a choques externos, apesar da ainda elevada dependência do petróleo.
O rating B3 permanece, no entanto, no nível especulativo (abaixo do grau de investimento). A agência continua a apontar vulnerabilidades estruturais, nomeadamente a exposição a flutuações do preço do petróleo, o perfil de dívida ainda exigente e a necessidade de aprofundar reformas institucionais e de governação.
A alteração da perspetiva para positiva é vista pelo mercado como um sinal de confiança renovada na capacidade de Angola de manter a estabilidade macroeconómica e avançar na agenda de reformas, potencialmente facilitando o acesso a financiamento externo em condições mais favoráveis.
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