Portugal segue no radar das empresas alemãs
Frank Meyer, Christian Beckmann, Oliver Steil e André Castro Pinheiro representam empresas e setores de atividade distintos, mas convergem na apreciação: Portugal dispõe de fortes fatores de competitividade para manter e atrair mais investimento alemão.
Fatores que Thorsten Kötschau, diretor executivo da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã (CCILA), resume, assim, ao JE: “As empresas valorizam os profissionais qualificados e multilingues, a estabilidade política, a elevada qualidade de vida, bem como as crescentes competências em tecnologia, digitalização, energias renováveis e serviços industriais”.
A CCILA foi anfitriã da Conferência Europeia da Economia Alemã, que trouxe a Lisboa líderes empresariais como Frank Meyer, membro do board da multinacional Bosch, Oliver Steil, CEO da TeamViewer, e Christian Beckmann, CEO da Saertex, representantes de câmaras de comércio de todo o mundo e responsáveis de empresas alemãs no país, como José Reis, CEO da DHL Express Portugal, e André Castro Pinheiro, CEO da FUCHS Lubrificantes Portugal.
O líder do maior fornecedor independente do mundo de soluções de lubrificantes diz ao JE que o compromisso é firme e expressa-se em crescimento, que se faz sentir no número de pessoas e no negócio.
Entre Aveiro, Braga, Ovar e Lisboa, a Bosch emprega 5900 pessoas, tendo faturado 2,1 mil milhões de euros em 2025. Em curso tem um investimento de 100 milhões de euros no desenvolvimento e produção de bombas de calor que dentro de meses estará concluído, salientou Frank Meyer. É uma das maiores presenças alemãs em Portugal.
Saertex é o que na Alemanha se chama Hidden Champion: empresa familiar que lidera, à escala global, um nicho de mercado altamente especializado. Tem 12 localizações e uma equipa de 1100 pessoas no mundo. Portugal sobressai neste mapa. “Aqui continuamos a desenvolver, de forma específica, os processos de fabrico para garantir a qualidade e a eficiência a longo prazo”, diz Christian Beckmann, CEO da Saertex, ao JE.
A TeamViewer, nascida no espírito startup, é hoje uma multinacional cotada na Bolsa de Frankfurt. O Porto afirma-se no seu mapa global. “Portugal oferece um forte acesso a talentos nas áreas de conceção de produtos, engenharia de software, gestão de produtos, IA, ciência de dados, cibersegurança, vendas e apoio ao cliente, tornando-o um centro atraente para o nosso crescimento contínuo”, diz o CEO, Oliver Steil, ao JE.
A competitividade europeia é central nesta edição da Conferência Europeia das Empresas Alemãs. Bienal, organizada pelas Câmaras de Comércio Alemãs no Exterior (AHKs) e pela DIHK, a conferência viaja pela primeira vez na história a Portugal. Nos dias 17 e 18 de setembro em cima da mesa estiveram temas como inteligência artificial, competitividade, inovação industrial, transição energética, segurança, defesa, autonomia estratégica.
“As câmaras de comércio são chave entre a economia alemã e os seus parceiros europeus. Estão presentes em mais de 150 locais de 90 países, “Abrem portas, aproximam parceiros e ajudam as empresas alemãs, de forma bastante prática, nas exportações, nos investimentos e na entrada nos mercados”, explica Volker Treier, chefe de comércio externo e membro da direção da Confederação Alemã das Câmaras de Comércio e Indústria (DIHK) ao JE.
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