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Supostos terroristas raptam civis em Mocímboa da Praia, Moçambique

Supostos terroristas raptam civis em Mocímboa da Praia, Moçambique

Pelo menos seis civis foram raptados por supostos grupos insurgentes na aldeia de Naninili no distrito de Mocímboa da Praia, na província moçambicana de Cabo Delgado, afetada pela insegurança armada desde 2017, disseram hoje à Lusa fontes locais.
O rapto aconteceu na terça-feira, na zona baixa daquela aldeia do posto administrativo de Diaca, onde as vítimas estavam a preparar os seus campos agrícolas.
“Em Diaca, seis pessoas foram raptadas e até hoje não sabemos o paradeiro”, disse uma fonte a partir de Mocímboa da Praia.
Após o rapto, os rebeldes abandonaram o local com as vítimas, na sua maioria homens, em direção à zona baixa de Mangoma, também na zona baixa do distrito.
“Foram levados para onde? Não sei. Mas o certo é que foram em direção à zona baixa de Mangomba” disse.
A situação obrigou à fuga dos camponeses e outros até à sede do posto, onde comunicaram as autoridades.
“Ninguém morreu, mas foi uma surpresa para nós, a maioria saiu da aldeia”, concluiu a fonte local.
Província rica em gás natural, Cabo Delgado é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e de 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.
Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique, aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças, alerta a ONU.
A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), consultado na terça-feira pela Lusa, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.
Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.
Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.
“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.

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