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Área Metropolitana de Lisboa com residentes mais insatisfeitos do país

Área Metropolitana de Lisboa com residentes mais insatisfeitos do país

As cidades portuguesas apresentam resultados menos favoráveis do que as congéneres europeias no indicador da qualidade de vida, com 70% dos inquiridos a declararem-se satisfeitos, face a 86%.
É na Área Metropolitana de Lisboa (AML) que os moradores estão menos satisfeitos com a qualidade de vida urbana, em geral. Apenas 58% diz-se satisfeita com a cidade onde vive, contra 76% na Área Metropolitana do Porto (AMP). Contudo, é nas cidades pequenas do litoral não metropolitano, que se registam as avaliações mais positivas.
Os dados são do Barómetro das Cidades Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), divulgado esta terça-feira, 29. O estudo, coordenado por Patrícia Melo, Eduarda Marques da Costa e Alexandra Gomes analisa a qualidade de vida urbana, as relações comunitárias e a participação cívica, comparando áreas metropolitanas, cidades médias e pequenas do litoral não metropolitano, cidades do interior e regiões autónomas.
A saúde, a habitação e o emprego são os principais fatores penalizadores da qualidade de vida nas cidades portuguesas, mas há outros, como o ruído, a qualidade do ar, a limpeza urbana, o congestionamento rodoviário e o maior ou menor conforto do espaço público.
A nível do país, 65% dos inquiridos consideram que a saúde e a habitação são as duas grandes prioridades para melhorar a qualidade de vida urbana. Mais de 40% priorizam o emprego e a economia local. Na AML, 72% elegem a saúde como prioridade e 70% a habitação. Nas cidades do interior, o emprego e a economia local são para a maioria 54% dos inquiridos as principais prioridades.
A esmagadora maioria (80%) dos portugueses inquiridos rejeita a ideia de que é fácil encontrar habitação adequada a preço razoável. A pressão habitacional assume contornos mais severos na Área Metropolitana do Porto, com 88% a rejeitar a ideia e na Área Metropolitana de Lisboa, onde 82% opinam o mesmo.
Embora o diagnóstico permaneça negativo no resto do país, a intensidade é significativamente menor nas cidades das Regiões Autónomas (67%) e do interior (70%).
A nível nacional, mais de metade (51%) dos inquiridos confirma que os custos com a habitação condicionam outras despesas familiares.
A Área Metropolitana de Lisboa regista as avaliações mais negativas relativamente ao ruído (apenas 35% estão satisfeitos), à qualidade do ar (40%) e à limpeza urbana (30%).
Em contraste, as cidades do interior registam níveis de satisfação significativamente mais elevados, com 64% dos residentes satisfeitos com o nível de ruído, 76% com a qualidade do ar e 54% com a limpeza urbana.
O estudo revela também que quanto maior for a cidade, menor é a perceção de segurança e o sentimento de comunidade.
Também neste critério, a AML se destaca, apresentando os níveis mais baixos de sentimento de pertença (39%), confiança nos vizinhos (42%) e participação nas atividades do bairro (33%). Em contraste, nas cidades do interior, 68% dos residentes confiam nos vizinhos e 59% dizem poder contar com eles.
A perceção de segurança segue o mesmo padrão: apenas 49% dos residentes da AML se sentem seguros a andar sozinhos no bairro à noite, valor que sobe para 71% nas cidades do interior e 76% nas regiões autónomas.
Porque razão a participação na vida pública local é reduzida? Mais do que falta tempo ou de informação, é simplesmente “não querer participar”. As petições locais são a forma de participação mais comum (36%), enquanto as manifestações relacionadas com questões locais registam a menor adesão (16%).
O estudo revela ainda um desfasamento entre o reconhecimento dos problemas urbanos e a aceitação das soluções, com 55% dos inquiridos a rejeitarem o aumento do custo de estacionamento para financiar transporte público e mobilidade.
 
 

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