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Dívida pública francesa atinge 119% do PIB

Dívida pública francesa atinge 119% do PIB

No final do passado mês de junho, a dívida pública francesa atingiu 3.595,5 mil milhões, um valor sem precedentes que está 59,6 mil milhões acima do que acontecia no final de março, um aumento de 2% em três meses. Mais: quando considerada como percentual da atividade económica, a dívida francesa também atingiu um recorde histórico, chegando a 119% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados esta terça-feira, 29 de setembro, pelo Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee).
A dívida pública ultrapassou, portanto, o pico de 117,8% registado no primeiro trimestre de 2021, quando a pandemia de Covid-19 levou o governo da época a gastar “o que fosse necessário” para evitar uma grave recessão, e, consequentemente, a contrair empréstimos. É preciso recuar até 1946 para encontrar um nível de dívida pública tão elevado: a França recuperava então da II Guerra e era preciso financiar a reconstrução – nessa altura, e face à quase inexistente atividade económica, a dívida atingiu os 300% do PIB, mas as circunstâncias eram particulares e aquele valor não serve de referência a não ser como comparativo com outros países para o mesmo lugar temporal.
Desde o primeiro choque petrolífero, em 1973-1974, a França enfrenta um declínio no crescimento económico, referem os analistas citados pela imprensa, que caiu gradualmente de cerca de 5% em 1970 para 0,5% em 2026, excluindo a inflação. Essa desaceleração traduz-se num crescimento cada vez mais moderado da receita pública, apesar do aumento da carga fiscal.
Os analistas antecipam que a dívida feche o ano em 119,3% do PIB, mas as projeções para 2027 são ainda piores: deverá atingir mais um recorde histórico de 121,7% do PIB. O governo francês prevê encerrar o ano de 2026 com um défice público de 5,4% do PIB. Os yields das obrigações do Tesouro francês a 10 anos (OAT) estão a negociar esta manhã nos 4,750%, o que representa uma ligeira estabilização face ao fecho do dia anterior (4,771%), mas mantém a pressão. O diferencial (spread) atual entre as OAT francesas e as obrigações alemãs comparáveis está nos 1,13 pontos percentuais – e a tendência é que este ‘gap’ aumente.

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