Presidente do IGCP diz que subida de juros tem impacto na dívida, mas existe “flexibilidade”
O presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) admitiu no parlamento que a subida das taxas de juro “naturalmente não tem um impacto positivo” na dívida, mas apontou “flexibilidade”, graças à gestão das maturidades.
Pedro Cabeços, que foi ouvido esta terça-feira na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), reconheceu que a subida das taxas “naturalmente não tem um impacto positivo no que pagamos de juros”.
No entanto, destacou, este não é “um efeito mecânico”, visto que “existe um ‘stock’ de dívida que já foi emitida e tem uma determinada estrutura de custos”, ou seja, “o impacto desta subida não se vai verificar imediatamente”.
“Em 2025 ficamos ligeiramente abaixo das previsões que foram feitas para o Orçamento do Estado, em 2026 até agora estamos mais ou menos em linha”, referiu, mas alertou que as taxas de juro têm vindo a agravar-se nos últimos três meses.
Ainda assim, destacou, “a gestão cuidada por parte do IGCP das maturidades a emitir permite-nos alguma flexibilidade nas emissões futuras”, referiu, apontando que não existe uma obrigatoriedade de emitir em certas maturidades.
“Naturalmente esta flexibilidade não é ‘ad aeternum’” disse, alertando para a continuada subida das taxas.
Pedro Cabeços deu ainda conta das necessidades de financiamento, indicando, que, este ano se situam nos 30,6 mil milhões de euros, sendo que 15 mil milhões de euros são relativos às necessidades líquidas de financiamento e 15,6 mil milhões relativos a financiamento de maturidades de médio e longo prazo.
O presidente do IGCP indicou ainda que em 2025, se verificou uma emissão líquida de 3,4 mil milhões de euros de produtos de aforro e, até julho deste ano, de 2,5 mil milhões.
Acerca da transformação digital, Pedro Cabeços admitiu que não está a decorrer ao ritmo que o IGCP gostaria.
Num universo de 300 mil contas de aforro, foram já atualizadas, até 31 de agosto, 66 mil contas, indicou, apontando que o processo decorre até o final do ano de 2029.
O IGCP contabiliza assim 66 mil contas de aforro com os dados atualizados até 31 de agosto, num universo de aproximadamente 300 mil. Pedro Cabeços, apresentou este balanço no Parlamento, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP).
Pedro Cabeços fez ainda referência à possível emissão de obrigações contra catástrofes, as chamadas cat bonds. “Em relação às cat bonds ou catastrophe bonds, é um produto que estamos a estudar, é um produto que não é habitual no mercado europeu”, disse o presidente do IGCP.
Segundo o presidente do IGCP este é um produto que não é habitual, que nunca foi usado nem em Portugal nem a nível europeu, e por isso “exige um cuidado muito maior em termos de análise”. Esta análise abrange “não só o ponto de vista de custo, como o ponto de vista de operacionalidade”, nomeadamente implica “a definição de elementos que podem causar o trigger dessas obrigações”.
Nestes títulos o investidor recebe juros enquanto a catástrofe prevista não acontece, mas perde se o evento se verificar. “Estamos a estudar, esperamos ter conclusões a breve prazo”, disse o responsável.
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