Barómetro CIP/ISEG prevê abrandamento do crescimento do PIB até final do ano
O barómetro CIP/ISEG prevê uma moderação do crescimento homólogo da economia portuguesa no terceiro trimestre, que deverá manter-se até final do ano, mas sem ameaçar uma revisão em alta do crescimento para a totalidade de 2026.
“Com base na evolução dos indicadores de clima e de atividade já conhecidos, o Barómetro de Conjuntura Económica CIP – Confederação Empresarial de Portugal/ISEG de setembro de 2026 aponta para a moderação do ritmo de crescimento homólogo da economia no terceiro trimestre deste ano”, lê-se num comunicado divulgado esta quarta-feira 30 de setembro.
Segundo acrescenta, a persistência em alta dos preços da energia, as restrições em curso na política monetária e o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “tornam incerto o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] nos dois últimos trimestres de 2026”.
“Depois de um [segundo] trimestre em que o crescimento do PIB excedeu as expectativas, ao avançar 0,9% em cadeia, a economia portuguesa apresenta evidentes sinais de robustez num enquadramento externo desafiante”, considera a CIP.
Citado no comunicado, o diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha, considera, contudo, que “a transmissão gradual do choque de preços da energia aos diversos setores da economia, a perspetiva de mais restrições na política monetária e a diminuição progressiva dos fundos do PRR que faltam aplicar indicam que o crescimento do PIB deverá abrandar até ao final do ano”.
Remetendo para a próxima edição do barómetro CIP/ISEG a divulgação da previsão para o crescimento da economia no terceiro trimestre de 2026 e a atualização da previsão para a totalidade do ano, a CIP diz que “não parece estar em causa, no entanto, a atualização em alta da previsão para a totalidade do ano”.
Rafael Alves Rocha explica que um crescimento nulo em cadeia no terceiro e no quarto trimestres será suficiente para fixar o crescimento anual de 2026 em 2,1%, sendo que, caso as previsões trimestrais do Banco de Portugal para a segunda metade do ano se concretizem, “então o crescimento anual em 2026 poderá mesmo atingir os 2,4%”.
Apesar desta “possibilidade estatística”, o diretor-geral da CIP avisa que “as empresas estão a resistir a repercutir o aumento dos custos nos seus preços finais, esmagando as suas margens”.
“Face à persistência em alta dos preços da energia e ao aumento dos custos de financiamento, esta situação não é sustentável por muito tempo e poderá ensombrar a evolução da economia portuguesa nos próximos meses”, alerta.
Em setembro de 2026, o Índice de Confiança do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) relativo à evolução da atividade económica portuguesa no curto prazo assumiu o valor de 48,4 (numa escala de 0 a 100), abaixo dos 48,8 do mês de julho. Já em termos homólogos o índice registou um aumento percentual de 2,8%.
“Relativamente ao mês de julho, a dispersão das votações dos membros do painel aumentou, pelo que diminuiu o consenso dos mesmos sobre a evolução da economia portuguesa”, aponta o Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG.
O Índice de Confiança ISEG sobre a evolução a curto prazo da economia portuguesa é atribuído por um painel de 16 professores do instituto com base em informação quantitativa e qualitativa previamente recolhida, a qual inclui os apuramentos de um inquérito realizado mensalmente a todos os docentes da instituição.
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