60% dos beneficiários de subsídio de desemprego regressam com salário mais elevado
Os beneficiários de subsídio de desemprego regressaram ao mercado de trabalho em 2024 em condições salariais mais favoráveis do que há uma década. Nesse ano, 61,2% voltaram ao emprego com um ganho salarial real e 38,8% com perda. Estes valores contrastam com 2015, quando eram mais os que regressavam com perdas: 53,2%, contra 46,8% com ganhos, segundo um estudo do Banco de Portugal no âmbito do Boletim Económico de outubro.
A magnitude dessas perdas também diminuiu, de 13,4% para 8,5%, num contexto em que a mudança de setor aumentou de 44% para 47,5% numa década.
Os beneficiários não só regressam mais frequentemente com um salário real superior, como também aumenta a proporção que volta ao emprego até ao primeiro mês após o fim do subsídio. Em 2024, eram 59,8%, contra 50,2% em 2015. O contexto económico é distinto, uma vez que Portugal, em 2015, tinha saído há pouco tempo do programa de ajustamento financeiro.
Além disso, sinaliza o estudo do Banco de Portugal, a percentagem de beneficiários que só iniciou uma nova relação laboral mais de seis meses depois do fim do subsídio (ou para quem ainda não tinha iniciado uma nova relação laboral) caiu de 40,4% para 30,8%.
Por outro lado, cerca de um terço termina o subsídio logo nos primeiros três meses e mais de metade nos primeiros seis meses. Há, no entanto, 25% que continuam a receber o apoio depois de um ano (desempregados de longa duração) e 14% chegam a atingir um ano e meio.
O estudo do Banco de Portugal indica ainda que há agora um diferencial maior entre o subsídio de desemprego e o último salário mensal do beneficiário. A chamada taxa de substituição caiu de cerca de 70% em 2015 para 64% em 2025, apesar de estar a aumentar desde 2023.
É nos salários mais baixos que essa taxa mais caiu nos últimos 10 anos (menos 11 pontos percentuais), face a uma quebra de 5,5 pontos percentuais no conjunto dos salários.
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