Restauração representou 7,6% do PIB e 523 mil postos de trabalho em 2025
O setor da restauração gerou, em 2025, 23,4 mil milhões de euros de valor acrescentado bruto (7,6% do PIB) e 523 mil postos de trabalho (9,7% do emprego nacional), segundo um estudo que alerta para fragilidades devido à inflação.
As conclusões do Estudo de Impacto Económico do Setor da Restauração, elaborado pela EY-Parthenon, foram hoje divulgadas pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que defendeu que “a real dimensão do setor e as suas fragilidades devem ser tidas em conta nas políticas públicas”.
Considerando toda a cadeia de valor, a restauração gerou em 2025 um impacto total de 23,4 mil milhões de euros de valor acrescentado bruto (VAB), equivalentes a 7,6% do PIB e 523 mil postos de trabalho, ou seja, 9,7% do emprego nacional, segundo os autores estudo.
O setor representou também em 2025 11,7 mil milhões de euros em remunerações (7,9% do total nacional) e 6,45 mil milhões de euros de receita fiscal e contributiva (5,9% do total).
“Por cada euro gerado nos estabelecimentos, o setor mobiliza 2,5 euros na economia. É ainda um pilar do turismo: capta cerca de 24% da despesa dos turistas e representa 24,4% do VAB turístico”, pode ler-se no comunicado divulgado pela AHRESP.
A associação apontou no comunicado a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), de que a inflação acelerou para 3,6% em setembro, realçando também que “a instabilidade internacional mantém elevada a incerteza sobre os custos e a procura”.
“Com margens reduzidas e elevado endividamento, muitas empresas têm pouca capacidade para absorver novos aumentos de custos ou quebras de procura. E, dado o efeito multiplicador do setor, uma deterioração da restauração repercute-se nos fornecedores, no emprego e na receita pública, penalizando toda a economia nacional”, pode ler-se.
A AHRESP sublinhou que devem ser criadas “condições para que as empresas enfrentem a pressão dos custos e preservem os postos de trabalho”, em particular na preparação do Orçamento do Estado para 2027.
Segundo os autores do estudo “mais de metade do impacto ocorre fora do setor, do setor primário ao terciário”.
“A montante, a restauração mobiliza a agricultura e as pescas, a indústria alimentar e das bebidas, a distribuição, a energia e os transportes; a jusante, as remunerações pagas ao longo da cadeia alimentam o consumo das famílias”, pode ler-se na nota de imprensa da AHRESP.
Segundo o estudo, o setor sustenta cerca de 260 mil empregos noutros setores e 6,2 mil milhões de euros em remunerações fora da sua atividade.
“Em vários concelhos do interior e do Algarve, representa entre 7% e 11% do tecido empresarial local”, detalhou ainda.
Sobre as fragilidades, os autores do estudo apontaram que 91% das empresas são microempresas, que geram apenas 39% do volume de negócios e que a margem líquida das sociedades é de apenas 3,0%, face a 8,2% na economia, e chegou a ser negativa em 2020.
“Portugal é dos poucos países da União Europeia (UE) com saldo negativo no setor (mais encerramentos do que aberturas)”, destacaram.
Sublinharam ainda que “71% do balanço é financiado por capital alheio, com a taxa de juro efetiva a subir para 4,5%” e que “a produtividade (19,4 mil euros por trabalhador) situa-se em cerca de 60% da média nacional”.
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