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EDP acelera integração da IA para preparar os próximos 50 anos


EDP acelera integração da IA para preparar os próximos 50 anos


Como pode a Inteligência Artificial (IA) transformar uma empresa energética? Foi a esta questão que a EDP procurou responder na 3.ª edição do AI Summit, realizada a 15 e 16 de setembro. O encontro, que reuniu líderes da empresa, especialistas internacionais e parceiros tecnológicos, discutiu os desafios, oportunidades e casos concretos de aplicação da IA, quando está a ganhar relevância na operação e na estratégia das empresas.
Com mais de 2600 participantes, presencialmente e online, nas várias geografias onde a EDP está presente, desde as Américas e Europa, até territórios da Ásia-Pacífico, 40 oradores distribuídos por 23 sessões, o AI Summit 2026 mostrou como a EDP está a integrar a IA em diferentes áreas do negócio, desde o desenvolvimento de software ao relacionamento com clientes, refletindo sobre o impacto da tecnologia na forma como a empresa trabalha, toma decisões e prepara o futuro.
A escala ajuda a perceber a dimensão da mudança. Cerca de 12 mil colaboradores utilizam ferramentas de IA Generativa no trabalho diário, incluindo o Microsoft Copilot e o Mind4EDP, enquanto mais de 8 mil fizeram formação na área. A empresa conta ainda com mais de 10 mil agentes de IA, ferramentas que libertam cerca de 1,8 milhões de horas de trabalho por ano.
Mas o ganho não está apenas no tempo poupado. A ambição passa por usar esse tempo para pensar, inovar, colaborar e concentrar os colaboradores nas decisões que exigem experiência e julgamento. É uma distinção importante num setor onde a tecnologia lida com infraestruturas críticas e a automatização não elimina a responsabilidade.
Da experimentação à escala
Foi essa fronteira que esteve no centro do painel que abriu o evento, Liderar a Empresa Energética Impulsionada pela IA, que juntou Ana Paula Marques, administradora do board executivo da EDP responsável pela tutela de IA, e Mark Chaban, Corporate Vice President e Board Member da Microsoft. A conversa colocou a liderança no centro da transformação, refletindo sobre a passagem da experimentação para uma adoção à escala empresarial, o que exige decisões sobre inovação, confiança, criação de valor e, sobretudo, sobre o que deve continuar nas mãos das pessoas.
“Para a EDP, tornar-se uma empresa verdadeiramente impulsionada por IA significa saber o que automatizar, delegar e amplificar”, afirmou Ana Paula Marques, acrescentando uma condição: “também temos de ter clareza sobre o que deve permanecer humano — o julgamento, o pensamento crítico e a responsabilidade. E, enquanto empresa, abraçar esta transformação, impulsioná-la e estabelecer, de fato, as salvaguardas adequadas”.
A prática já acompanha essa ambição. Existem cerca de 50 jornadas de transformação e mais de 60 casos de uso de IA implementados. No desenvolvimento de software, ferramentas como o GitHub Copilot estão presentes em várias etapas, da definição de requisitos às operações, com adoção próxima dos 50% nos casos de uso ativos.
Também no contacto com o cliente a IA ganha presença. A EVA, assistente de atendimento, responde autonomamente a 36% das interações. Já o Moonshot, plataforma que usa IA para gerar recomendações personalizadas de eficiência e poupança energética, apresenta adoção próxima dos 60%, através da Eddy, assistente energética da EDP.
Mas há outra dimensão: a infraestrutura necessária para suportar a economia digital. O campus de centros de dados de Sines é um exemplo. No pico, poderá atingir 1,2 GW de capacidade, alimentado a 100% por energia renovável, representando cerca de 20% do consumo energético de Portugal. Com o crescimento da procura associada à IA, responder com energia renovável torna-se parte da equação.
Transformação a pensar no futuro
A edição de 2026 do AI Summit trouxe uma discussão que ultrapassa a tecnologia. Questões como governação, autonomia, ética e responsabilidade estiveram presentes no painel Quem detém o poder quando os algoritmos governam?, enquanto a AWS abordou a soberania e resiliência das infraestruturas críticas perante uma nova geração de sistemas de IA.
No encerramento, Miguel Stilwell d’Andrade, CEO da EDP, colocou a IA na perspetiva dos próximos 50 anos. A discussão passa por perceber como poderá influenciar estratégias, reforçar a resiliência e acelerar a inovação, sem perder de vista as pessoas, a sustentabilidade e a confiança.
Tal é particularmente importante quando a EDP completa cinco décadas. Se os primeiros 50 anos foram marcados pela transformação do setor energético, os próximos poderão ser definidos pela transformação dos dados em inteligência e essa inteligência em decisões. O AI Summit 2026 mostrou que essa mudança já começou e que escalar a IA significa saber onde a tecnologia pode chegar e onde deve continuar a existir intervenção humana.
Este artigo foi produzido em parceria com a EDP. 

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