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FPF terá de se preparar para a quebra de receitas

FPF terá de se preparar para a quebra de receitas

Será este o fim de Cristiano Ronaldo enquanto jogador da seleção nacional de futebol? Tudo aponta que sim. Quando nada o fazia prever, o capitão de Portugal e um dos melhores futebolistas da história do jogo, entrou em rota de colisão com o selecionador, Jorge Jesus, e abandonou o estágio na Dinamarca.
No jato privado com o logo CR7 estampado (avaliado em 60 milhões de euros) embarcou o jogador, mas também uma marca avaliada no ano passado em 850 milhões de euros pelo IPAM.
Daniel Sá, diretor-executivo do IPAM e especialista em marketing desportivo, mostra-se otimista de que este episódio não vai marcar um divórcio irreparável entre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e o craque português. “Não acredito que esta história termine assim. Cristiano Ronaldo tem uma carreira de 25 anos e uma marca que não se destrói com um episódio destes. Todas as marcas vivem os seus maus momentos e sobrevivem a isso”, diz ao JornalEconómico (JE).
Independentemente daquele que seja o desfecho desta história, há algo que é evidente para este especialista e que se tornou ainda mais premente com a crise em solo dinamarquês: a FPF vai ter mesmo de se preparar para um pós-Ronaldo.
Em declarações ao JE, em 2025, conhecida a nova avaliação da marca CR7, Daniel Sá realçou que “seria muito importante que tivéssemos um Cristiano Ronaldo no calçado, nas telecomunicações, na indústria automóvel, na tecnologia… seríamos um um país absolutamente espantoso”.
Agora que o futebol português também se prepara para perder a sua marca mais valiosa, o organismo liderado por Pedro Proença tem vários desafios pela frente: “Sem um segundo Cristiano Ronaldo para substituir o original do ponto de vista mediático, é preciso garantir que a marca Portugal continua a usufruir da marca CR7 e isso implica que as partes não virem costas em definitivo e que a FPF trabalhe no sentido de fazer emergir outros talentos”.
Da Herbalife Nutrition passando pela Meo e ainda por marcas como a Vista Alegre (em que Ronaldo tem uma participação de 10%), há todo um ecossistema de marcas que ligam de forma umbilical Cristiano Ronaldo e a FPF. Fora desse universo, que argumentos vai a FPF apresentar junto das marcas para negociar em alta, numa realidade sem CR7?
“Vai ter de reorganizar a sua narrativa”, sublinha Daniel Sá. “Até agora, a Federação vendia aos seus patrocinadores o estatuto de Seleção de top5 mundial, vencedor de competições, com presença nas grandes provas e uma equipa recheada de estrelas que competem ao mais alto nível na Europa do futebol”, aponta.
Adeus 450 mil seguidores
Portugal tem de encontrar fórmulas diferentes para continuar a vender, mas nada será igual. “Não vamos ser ingénuos: sem Cristiano Ronaldo, Portugal vai seguramente perder atenção”, avisa Sá.
E a verdade é que, assim que se conheceu esta polémica, com o jogador a deixar o estágio, a página oficial da seleção portuguesa de Futebol no Instagram perdeu cerca de 450 mil seguidores (1,8% da base total) nas primeiras 24 horas e voltou a estar abaixo da marca de 25 milhões de seguidores. Esta debandada digital foi vista como um sinal de protesto dos adeptos face à forma como, aparentemente, acabou o reinado de CR7 na seleção.
E isto pode ser apenas a ponta do icebergue: “Há muita gente que vai deixar de ver Portugal porque só gosta de ver Ronaldo. Se ele não jogar, o adepto não vai ver a partida, mas também não vai comprar camisolas nem vai consumir”. Para Daniel Sá, a ausência de Cristiano Ronaldo representa “a perda de um ator que atrai muita gente e esta é uma quebra inevitável, vai acontecer”.
Um recente relatório da “Your Brand Value Sports”, antes do Mundial deste ano, destacava que a oportunidade de mercado de patrocinar a seleção portuguesa estava avaliada em 900 milhões de dólares (cerca de 800 milhões de euros), ocupando o sexto lugar no ranking.
Este valor de marca era sobretudo responsabilidade de CR7 e cria uma autêntica encruzilhada: os patrocinadores que entram agora: “Compram a marca Ronaldo, não a marca Portugal”, destacavam os analistas consultados neste estudo.

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