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Amantes da literatura, o Fólio está prestes a acontecer

Amantes da literatura, o Fólio está prestes a acontecer

O mote da 11ª edição do Fólio – Festival Literário Internacional de Óbidos, que decorre de 8 a 18 de outubro, convoca a epiderme para abrir possibilidades. “Para além da pele” não será uma síntese para a obra do escritor e dramaturgo norueguês Jon Fosse, Nobel da Literatura 2023. Longe disso. Mas é na pele que também se sentem as tensões que habitam a sua escrita. Pretexto para recordar um percurso de várias décadas e mais de 60 obras publicadas.
Fosse nasceu em 1959, em Haugesund, na costa ocidental da Noruega, filho de um pai gestor de uma cooperativa e de mãe doméstica. Cresceu perto de Strandebarm e, aos sete anos, sofreu um acidente em que quase perdeu a vida, numa experiência que, hoje, assume como tendo sido fundamental para a sua formação enquanto escritor.
Nunca explicitou que acidente foi esse, mas, há uns anos, disse à “Los Angeles Review of Books” que esse incidente lhe abriu “os olhos para a dimensão espiritual da vida. Mas, sendo marxista, tentei negar isso tanto quanto pude”.
Estreou-se em 1983 com o romance Raudt, svart [Vermelho, preto]. Tema chave? O suicídio. “Para minha grande surpresa, houve um editor que se interessou. E passei a ser um autor editado. É bom ser-se editado, mas perde-se uma espécie de inocência. Mas lá continuei a escrever. E gosto de escrever”, explicou na mesma entrevista.
Casou três vezes. É pai de seis filhos e passou por dificuldades financeiras. Curiosamente, começou a escrever peças de teatro em 1993 porque estava falido. A dada altura na vida, internou-se voluntariamente numa clínica de reabilitação para resolver a sua dependências do álcool.
“Agora não vou a bares. Em vez disso, vou a cafés. As bebidas alcóolicas são, para muitos, um grande prazer e para muito poucos um grande problema. Não me incomoda estar perto de quem beba, mas as ‘afterparties’ para mim acabaram”, afirmou em 2019 numa entrevista à “Music and Literature”.
A partir de 2013, o seu nome passou a constar da lista de favoritos ao Nobel da Literatura. Uma década depois recebeu o prémio. Tinha 64 anos. Atualmente, Jon Fosse é um dos dramaturgos mais respeitados do mundo do teatro, tendo alcançado o reconhecimento em 1999, com a produção francesa de Claude Régy da sua peça de 1996 “Vai vir alguém”. Em Portugal, as suas peças também têm subido ao palco, revisitando os seus temas de eleição: Deus, morte e a mundanidade da vida, a que se soma uma importante presença da natureza.
Fosse, que já se descreveu como autor de uma “prosa lenta”, é encarado pela crítica como um minimalista nos meandros da ficção metafísica.
Traduzido para mais de 40 línguas e com mais de 60 trabalhos publicados, incluindo romance, poesia, teatro, ensaios e livros para crianças, a sua presença no Fólio pode, também, ser encarada como um convite para (re)encontrar as suas obras.
 

A 11ª edição do Fólio faz-se sob o mote “Para lá da pele”
O leque de autores convidados é eclético, como o Fólio nos tem habituado. Da escritora brasileira Ana Maria Gonçalves, a primeira mulher negra a entrar na Academia Brasileira de Letras, a dois vencedores do Prémio Booker: o canadiano Yann Martel e a indiana Kiran Desai, que em 2006 se tornou a mais jovem mulher a ser distinguida com aquele galardão.
De Espanha vem Aixa de la Cruz, autora do recém-editado “Mudar de ideias”
e, de França, Catherine Millet, autora do também recente “Ciúme”.
O escritor franco-argelino Kamel Daoud, duas vezes vencedor do Prémio
Goncourt, com “Meursault, contra-investigação” (romance de estreia) e
“Huris”, que põe o foco na guerra civil argelina, nos anos 1990, irá conversar
sobre “Fronteiras” com Rachid Benzine, autor de “O Homem Que Lia Livros”, com moderação de Ricardo Alexandre, jornalista da TSF.
A escritora e jornalista argentina Gabriela Cabezon Cámara, vencedora do
National Book Award para obra traduzida, é outra figura em destaque nesta
11ª edição, a par de Michael Cunningham, Anne Serre e Martin Desrosiers. Sem
esquecer Davi Kopenawa, que traz na bagagem “Um sonho Yanomami”.
Mas nem só de nomes internacionais se faz o programa deste ano do Fólio. Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, Filipa Martins, Patrícia Reis, Raquel Varela,
João Pedro Vala, Francisco Louçã, António Cabrita ou Ana Bárbara Pedrosa e o linguista Marco Neves, são apenas alguns.
O Fóilio decorre de 8 a 18 de outubro em Óbidos. Consulte aqui a programação completa.

 
 
 

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