Espanha/Eleições: Sondagens dão vitória ao PP mas é o Vox que sobe
As sondagens mais recentes publicadas em Espanha, que vai ter eleições antecipadas em 29 de novembro, dão todas a vitória ao Partido Popular (PP, direita), mas sem maioria absoluta, enquanto o Vox (extrema-direita) duplicaria o número de deputados.
O PP já venceu as eleições anteriores, em julho de 2023, e tentou chegar ao Governo numa aliança com o Vox, mas os dois partidos ficaram a seis deputados de uma maioria absoluta no parlamento e o socialista Pedro Sánchez acabou reinvestido primeiro-ministro, em novembro daquele ano, por uma geringonça de oito forças políticas, incluindo algumas de direita, nacionalistas e independentistas.
Sánchez convocou hoje eleições antecipadas para 29 de novembro e as sondagens mais recentes, feitas antes deste anúncio, estimam que PP e Vox conseguem agora, juntos, uma maioria absoluta, que rondará os 200 deputados num parlamento que tem 350 lugares.
Os mesmos estudos revelam que o PP teria uma percentagem de votos semelhantes à das eleições de 2023 (33%), quando elegeu 137 deputados, e que o Vox poderia chegar aos 18% e quase duplicar o número de deputados atuais (33).
Já as forças de esquerda, o Partido Socialista Espanhol (PSOE), de Sánchez, e a plataforma Somar, que integra vários partidos, perderiam votos e deputados.
O PSOE e o Somar estão na coligação de governo atual e, segundo as sondagens, os socialistas cairiam para 25% dos votos (tiveram 31,6% em 2023).
Já o Somar passaria dos 12,33% de 2023 para cerca de 6%, segundo os mesmos estudos.
Pedro Sánchez, primeiro-ministro desde 2018, será de novo o candidato do PSOE, enquanto a plataforma Somar não tem atualmente uma liderança e está mais dividida, depois da saída do Podemos e de a ainda ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, a candidata em 2023, ter anunciado que se retira da política.
Os partidos que estão hoje no Somar anunciaram que revelarão em 17 de outubro quem vai liderar a candidatura da nova plataforma de esquerda, que deverá chamar-se “Frente Amplio” (“Frente Ampla” ou “Frete Alargada”).
Quanto ao PP e ao Vox, os respetivos líderes, Alberto Núñez feijóo e Santiago Abascal, saudaram hoje que “por fim” haja eleições em Espanha e disseram estar preparados para as legislativas e para governar.
Os dois partidos, que pediam eleições há meses, coligaram-se este ano para formar governos em quatro regiões autónomas e têm assumido a disponibilidade para formar também uma coligação no executivo nacional.
O líder do Vox reiterou hoje que o partido pretende levar para a coligação de governo nacional o que negociou nos executivos regionais, nomeadamente a aplicação de um polémico “princípio de prioridade nacional” no acesso a serviços e apoios públicos, com discriminação de imigrantes.
Sánchez decidiu antecipar as eleições nacionais depois de, na sexta-feira, o parlamento espanhol ter rejeitado medidas do Governo para a habitação e após mais de uma semana de protestos diários com milhares de pessoas nas ruas por causa dos despejos e das dificuldades de acesso a uma casa.
As medidas para a habitação foram rejeitadas pelo PP, pelo Vox e pelo partido independentista de direita Juntos pela Catalunha (JxCat).
A crise na habitação retirou na última semana e meia o foco mediático em Espanha das questões da imigração e da situação em Cauta, onde mais de 70.000 pessoas entraram ilegalmente em 24 horas no final de julho, num episódio que tem sido motivo de críticas generalizadas ao Governo.
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