Jorge Jesus em brasa com o caso CR7: “Não peço desculpas a ninguém”
Jorge Jesus cumpriu com o prometido e aproveitou, este domingo, a conferência de imprensa que se seguiu ao triunfo conquistado sobre a Noruega, por 2-1, no Estádio do Dragão (que valeu o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações), para ‘colocar os pontos nos is’ a propósito do polémico abandono de Cristiano Ronaldo à principal seleção de Portugal.
“Para mim, no princípio, nunca foi um caso. Foi uma coisa que achava normal como treinador. Ter um jogador com o símbolo que ele é para o país e para a seleção… Há princípios como treinador que são inegociáveis, mas, como não houve nada de especial em termos do que é a minha autoridade, para mim, o Cris na próxima convocatória será, caso esteja a jogar no Al Nassr, um jogador convocável, se ele quiser regressar à seleção”, afirmou.
“Não pode cobrar, na minha opinião, uma amizade de um ano numa situação que não dá para entender. Só porque foi ele, criou-se – e se calhar bem, porque é um símbolo – este problema todo de entrar, aquecer, não entrar… Quantos hoje aqueceram e não entraram? Vai haver algum problema? Não. Com o Cris é diferente, é o símbolo. Mas é um problema”, prosseguiu.
“Para mim, não foi problema. Se o Cris quiser e estiver a jogar no Al Nassr, na próxima convocatória, vai estar dentro. Falámos antes desta convocatória e podemos falar antes da próxima, mas é o Cris que vai decidir (…). Não passa por mim. Para se ter um acordo com duas pessoas, é preciso as duas pessoas falarem e acordarem”, completou.
Ainda assim, o selecionador nacional deixou uma certeza: “Não peço desculpas a ninguém. O problema que gerou isto tudo foi o jogador estar a aquecer. Ponho o ónus na decisão e naquilo que aconteceu. Mas pedir desculpa de quê? A quem? Isso é mentira. Desculpa do quê? Qual era o tema para pedir desculpa?”.
“Disse a Cristiano Ronaldo: ‘Jogando ou não, preciso de ti'”
Jorge Jesus aproveitou, ainda, a decisão para enaltecer o legado de Cristiano Ronaldo, na equipa das quinas e não só: “Eu também partilhei, ao longo de um ano tudo, o que é o símbolo e marca que é o jogador Cristiano, principalmente para as crianças. É uma referência mundial. Por isso é que, depois do jogo, disse que o Cris só não volta à seleção se ele não quiser”.
“O tema que houve entre mim e ele foi precipitado. Houve muitas pessoas que se meteram no caso que fizeram com que isto parecesse um problema, que não teve problema nenhum. Um treinador pôr um jogador – e ele é diferente, com estatuto – a aquecer e não entrar deu este problema. Acham que é motivo para o símbolo que o Cris é, acabar assim, de uma maneira para a outra?”, referiu.
“Eu quero que ele esteja. Ele sabe que vai acabar, isto não dura para sempre, mas gostava que ele acabasse na seleção como ele quer. Ele é que vai decidir. Foi assim que falámos. Na primeira convocatória, eu disse-lhe ‘Preciso de ti. Jogando ou não jogando, preciso de ti’. E, agora, é a mesma coisa”, concluiu.
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