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Nobel da Medicina 2026: a luz como ferramenta para estudar a vida

Nobel da Medicina 2026: a luz como ferramenta para estudar a vida

O Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina de 2026 distingue Peter Hegemann, Georg Nagel e Karl Deisseroth pela optogenética, um método que usa luz para ligar e desligar neurónios no cérebro vivo. Hegemann e Nagel descobriram numa alga unicelular, Chlamydomonas, a channelrhodopsin, uma proteína que abre um canal na membrana quando recebe luz azul. Deisseroth introduziu-a em neurónios e, a partir de 2005, passou a controlá-los com impulsos de luz.
Em Portugal, a optogenética é hoje uma ferramenta de trabalho corrente. Na Fundação Champalimaud, vários grupos de neurociências usam-na para estudar a coordenação motora, a aprendizagem e a perceção do tempo. Rui Costa, que a aplicou em Lisboa ao estudo da aprendizagem de movimentos, dirige hoje o Allen Institute, nos Estados Unidos.
Na Universidade do Minho, um projeto explora a optogenética na regeneração de nervos periféricos. Em setembro, o Prémio António Champalimaud de Visão distinguiu Botond Roska e José-Alain Sahel, que usaram a optogenética para devolver visão parcial a um doente cego.
O Nobel reconhece uma área em que laboratórios portugueses publicam e formam investigadores há mais de uma década, e reforça o argumento para investir em investigação fundamental e em tecnologias de luz e imagem. A descoberta nasceu de uma pergunta simples: como é que uma alga nada em direção à luz? O ITQB NOVA faz este tipo de investigação fundamental, em proteínas, microrganismos e plantas. No meu laboratório estudamos o efeito da luz nas células vivas, para que as técnicas que usam luz produzam resultados fiáveis.

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