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Fusion 2026: autonomia da IA obriga empresas a decidir o que não delegar às máquinas

Fusion 2026: autonomia da IA obriga empresas a decidir o que não delegar às máquinas

A Inteligência Artificial entrou numa nova fase. Depois da corrida à adoção e à procura de ganhos de produtividade, o desafio agora é outro: perceber até onde pode ir a autonomia das máquinas — e que decisões, conhecimento e responsabilidade devem continuar nas mãos das pessoas. O diagnóstico foi o ponto de partida da segunda edição do Fusion, organizado pela consultora Devoteam na Fundação Champalimaud, em Lisboa.
Perceber até onde pode ir a autonomia das máquinas e que decisões devem continuar nas mãos das pessoas foi assim o foco da segunda edição do Fusion. O encontro juntou líderes empresariais, investigadores, académicos e especialistas para debater o impacto da Inteligência Artificial (IA) nas organizações e na sociedade.
Um dos exemplos apresentados foi o da exploração espacial. O astronauta análogo e Flight Director na Estação Espacial Internacional João Lousada antecipou o papel da IA numa futura missão tripulada a Marte, referindo que a distância entre os dois planetas pode provocar atrasos nas comunicações de até 22 minutos em cada sentido, inviabilizando a dependência permanente das equipas em Terra.
Neste cenário, sublinhou, os astronautas terão de ter níveis de autonomia superiores aos atuais, podendo a IA assumir funções no apoio à decisão, na análise de dados, na identificação de problemas e no acompanhamento da tripulação. Lousada anunciou ainda que uma próxima missão análoga deverá realizar-se pela primeira vez em Portugal, com a participação de universidades e institutos de investigação portugueses.
A necessidade de preparação das organizações foi outro dos temas em destaque. O professor coadjunto jubilado do Instituto Superior Técnico José Tribolet alertou para a necessidade de “ordenar, urbanizar e disciplinar o espaço virtual”, defendendo que a adoção da IA exige organizações capazes de estruturar primeiro a informação.
A presidente e CEO da Casa de Investimentos, Emília Vieira, destacou a rapidez de adoção da tecnologia e a dimensão dos investimentos dos grandes grupos tecnológicos. Perante esta aceleração, considerou que a questão central para os investidores será distinguir entre o crescimento sustentável e a corrida à tecnologia. “É mesmo importante decifrar o que é que pode ser permanente, que tem investimento e é rentável em termos estruturais e de longo prazo, ou aquilo que são momentos de investimento”, afirmou.
No setor da saúde, o especialista em IA, imagem médica e biomarcadores da Fundação Champalimaud João Santinha apresentou aplicações como o rastreio do cancro da mama, onde a IA pode funcionar como segundo observador na análise de imagens, reduzindo a carga dos profissionais e mantendo a decisão final no humano.
João Santinha referiu ainda que sistemas capazes de transcrever consultas e estruturar automaticamente a informação clínica podem reduzir o tempo dedicado a tarefas administrativas. Na Fundação Champalimaud estão a ser desenvolvidas soluções que combinam IA e realidade aumentada para apoiar cirurgias de mama mais precisas e menos invasivas.
As intervenções no Fusion convergiram na ideia de que a próxima etapa da IA não será determinada apenas pela capacidade dos modelos, mas pelas escolhas feitas por quem os utiliza, num momento em que a tecnologia evolui mais depressa do que as estruturas criadas para a utilizar.
A Devoteam é uma empresa de consultoria especializada em tecnologia, com 11.000 especialistas na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), que atua nas áreas de cloud, dados, cibersegurança e IA.

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