Ricardo Teodósio: “Correr em casa é sempre especial, nunca baixámos os braços e lutámos até ao último quilómetro”
Ricardo Teodósio e José Teixeira concluíram o Rallye Casinos do Algarve na sexta posição da classificação geral, ao volante de um Citroën C3 Rally2. A jogar em casa e perante o seu público, a dupla algarvia partiu para a prova com ambições elevadas e o objetivo declarado de lutar pelos lugares do pódio ou pela vitória, mas enfrentou um fim de semana exigente que deixou o resultado final aquém das metas inicialmente estipuladas.
Apesar dos contratempos registados ao longo das classificativas e das dificuldades sentidas na adaptação do carro aos pisos de terra, a dupla manteve-se focada até ao último quilómetro, completando a prova e assegurando o quinto lugar na Power Stage como nota final de destaque.
O balanço da prova e as dificuldadesNo rescaldo da participação, Ricardo Teodósio analisou o desempenho global da equipa e o significado de competir nas estradas algarvias: «Claro que queríamos mais. Correr em casa é sempre especial e entrámos neste rali com vontade de lutar por um lugar no pódio. Infelizmente, não conseguimos estar onde queríamos, mas nunca baixámos os braços e lutámos até ao último quilómetro. Quero agradecer ao José, a toda a equipa pelo trabalho e, principalmente, a todas as pessoas que estiveram nas classificativas a apoiar-nos. É incrível sentir este carinho no nosso Algarve.»
O piloto aprofundou posteriormente os pormenores técnicos e os imprevistos geridos ao longo dos troços, explicando o impacto na sua andadura: «Por muito que a gente queira — e eu queria, por estarmos na nossa terra —, tudo bem, mas eu não andei lá mais porque não andei. Fiz os dois dias que tinha para fazer. Tive problemas com o carro de reconhecimentos, perdemos algum tempo e não fizemos mais passagens, e isso refletiu-se um bocadinho nos troços, principalmente em São Marcos. Eu fiz o meu papel, dei o meu melhor. Houve sítios em que dei mais do que o melhor, porque fui para além daquilo que podia, e depois também perco-me um bocado nessas brincadeiras. Mas estamos satisfeitos por ter chegado ao fim, embora não com o resultado que queríamos. Nós pretendíamos um pódio, inclusive até ganhar, ao menos esse era o nosso objetivo. Não deu, não consegui…»
Incidentes em prova e a gestão mecânicaAbordando os episódios insólitos vividos durante as especiais e a reação da viatura, o piloto detalhou os falsos alarmes de furo e os ajustes necessários na condução: «Bom, mas pronto, a máquina tá inteira. Além disso, tive aí dois “furos psicológicos” nos dois primeiros troços. Tive um furo psicológico à frente do lado esquerdo que não estava furado, mas era o pneu que tava bastante desgastado; mandei duas marteladas de dois pedregulhos grandes do lado esquerdo e senti que qualquer coisa não estava bem.Passava de psicológico a real. Vim com essa sensação durante cerca de cinco quilómetros, com mais atenção do que aquela que deveria ter. No segundo troço, em São Marcos, fiquei com a sensação de que estava furado atrás do lado esquerdo, mas não era. Depois paramos, trocamos os pneus de trás para a frente — pus o pneu de trás, que estava mal, para a frente, e o que estava na frente pus para o porta-bagagens, porque o de trás do lado direito estava bastante bom. Mas outro furo psicológico fez-me atravessar e vir devagar.A rótula é que está a mexer; ao fim ao cabo, a roda abre ao curvar e o carro vai logo a fugir. Temos de mudar o estilo de condução, passar a conduzir mais à minha maneira, que é mais de travessia e menos a direito. Por incrível que pareça, no último troço já fiz um tempo até relativamente engraçado, visto que acho que conseguimos o quinto lugar na Power Stage. Os miúdos da Hyundai, o Hugo e o Gonçalo, fizeram mais rápido do que nós, mas pronto, estamos cá todos pelo mesmo.»
Avaliação dos troços e a moldura humanaSobre a dureza do piso e a presença dos adeptos ao longo do percurso, Ricardo Teodósio não poupou elogios ao traçado algarvio: «Os troços… São duros? São. Já sabemos que são duros, mas faz parte do jogo. Não furei, houve quem tivesse furado. Eu não furei, apesar de termos passado por cima de pedregulhos grandes. No Campeonato do Mundo, quando o rali era aqui, era igual a isto ou ainda pior. É um rali duro, mas para mim é de topo; os troços são lindos.»
Relativamente ao público e ao acesso às zonas espetáculo, o piloto acrescentou: «Em algumas zonas sim, havia público, noutras zonas não, porque não há grandes acessos. Os acessos são restritos e muito difíceis de lá chegar, mas é o que há! Mas depois temos estas City Stages em que já podemos brincar e dar um bocadinho de espetáculo para o nosso público. Ali dentro dos troços, ó pá, é ir andando da maneira que a gente consegue. Fico chateado comigo próprio quando não consigo mais e venho a dar tudo o que tenho e não consigo mais.»
Por sua vez, o navegador José Teixeira deixou um agradecimento coletivo no final da prova: «Foi um rali difícil e o resultado não traduz aquilo que ambicionávamos para esta prova. Trabalhámos muito durante todo o fim de semana e demos sempre o máximo dentro do carro. O apoio que recebemos nas estradas foi fantástico e só temos de agradecer a todos os que estiveram connosco. Vamos continuar a trabalhar para regressarmos ainda mais fortes.»Com o sexto posto assegurado, a dupla encerra o rali reiterando o foco no trabalho desenvolvido com a estrutura e o apoio fundamental de patrocinadores, mecânicos e adeptos.
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