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EDPR: eleições intercalares nos EUA com potencial para acelerar renováveis

EDPR: eleições intercalares nos EUA com potencial para acelerar renováveis

As eleições para o Congresso dos Estados Unidos da América (EUA) em novembro têm o potencial para acelerar as energias renováveis no país em pleno mandato de Donald Trump.
A conclusão é do banco de investimento norte-americano Jefferies que coloca esta possibilidade entre os fatores que estão a melhorar a perspetiva da elétrica portuguesa.
“As eleições intercalares de 3 de novembro podem atuar como acelerador para o setor, apoiando o sentimento dos investidores face às renováveis”, segundo os analistas.
O partido da oposição ganha, habitualmente, vantagem no Congresso nas eleições intercalares, sendo de esperar uma vantagem dos democratas, que defendem mais o investimento em energias renováveis.
“Continuamos positivos com a EDP, onde continuamos a ver um risco/recompensa atrativo, sustentado na melhoria da visibilidade no médio e longo prazo, com a expetativa de ganhos de capital mais elevados e preços de eletricidade mais fortes. Com as eleições intercalares nos EUA potencialmente a atuarem como acelerador de curto prazo”, segundo a nota da Jefferies divulgada esta semana.
Numa análise às estratégias dos partidos para as eleições intercalares, a S&P Global aponta que a estratégia republicana tem sido culpar a aposta dos democratas nas energias renováveis pelo aumento dos preços da energia. Já os democratas apostam na produção de energia verde, com o foco a ser na redução dos preços.
A “história da ação da EDP continua robusta. Continuamos a ver um caso interessante de investimento para a EDPR, apoiado por preços mais elevados de eletricidade, fortes ganhos de capital e a melhoria da perspetiva de ganhos”.
As eleições intercalares nos EUA têm lugar a 3 de novembro e são vistas como um teste de popularidade à presidência de Donald Trump. Regra geral, o partido que está no poder perde lugares para a oposição devido ao habitual desgaste governativo.
A vida para Donald Trump não está fácil: a prolongada guerra entre os EUA/Israel com o Irão continua a ter impactos nos preços do petróleo, com os eleitores a pagarem mais pelos combustíveis na bomba, pressionando a inflação e com os bancos centrais a aumentarem as taxas de juro, tornando-o dinheiro mais caro e complicando a vida para famílias e empresas.
Donald Trump conta com uma taxa de aprovação em níveis mínimos para a sua presidência, agravada, precisamente, pelo aumento do custo de vida.
Apesar dos esforços de Donald Trump contra as energias renováveis, a nova potência instalada vai atingir um recorde este ano em todo o mundo: gigawatts, superando o recorde atingido em 2024.
Um dos fatores a alimentar a procura é a necessidade de eletricidade por parte dos centros de dados para alimentar a inteligência artificial (IA), assim como os créditos fiscais nos EUA que estão a expirar.
“Houve a promessa na campanha de ir contra as renováveis, mas ao mesmo tempo percebem que não conseguem viver sem elas. Não vejo um mundo onde a a procura por energia venha a cair”, disse ao “Financial Times” Izzet Bensusan do grupo de investimento em infraestruturas energéticas Captona.
Na sua análise, a Jefferies também destaca que a Península Ibérica continua a ser “atrativa” com perspectivas de crescimento da procura, preços da eletricidade a subir e investimento nas redes a acelerar.
Neste cenário, a EDP sai favorecida, com a subida dos preços de eletricidade na Ibéria: 75 MWh esperados em 2027 na Ibéria.
“A Ibéria e, em particular, Portugal, permanecem como um dos mercados de eletricidade mais acessíveis da Europa, reduzindo o risco de intervenção política enquanto apoiam um ambiente mais favorável para aumentos futuros de tarifas e investimento na rede”, pode-se ler.
O partido republicano de Donald Trump tem levado a cabo a prática de “gerrymandering”, em que os estados redesenham mapas eleitorais para tentar obter vitórias. Uma análise do partido revelada este ano concluiu que conta com a possibilidade de ganhar mais 10 lugares que pertencem a democratas, revelou a “BBC” em junho. Os democratas também procederam a mudanças na Califórnia.
Os republicanos tentam manter a ligeira maioria na Câmara dos Representantes, a casa baixa do Parlamento norte-americano, o Congresso, atualmente com vantagem de 217-212, com cinco lugares vagos.
A Jefferies subiu a recomendação da EDP para ‘comprar’ com um perspetiva mais otimista para o futuro da elétrica portuguesa em todos os seus negócios.
A EDP Renováveis mantém a sua recomendação inalterada, também em ‘comprar’. Já o preço-alvo da EDP está nos 5,40 euros, com o da EDP Renováveis nos 16,8 euros.
A EDP fechou nos 4,7 euros na terça-feira, com a EDPR a encerrar a sessão nos 13,77 euros.
“Vemos a EDP bem-posicionada para ganhos mais fortes, apoiada por preços de eletricidade mais elevados e uma melhoria na perspetiva de crescimento”, escreveram os analistas do banco norte-americano numa nota divulgada na terça-feira, 1 de setembro.

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