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‘Burnout’ atinge parte muito significativa dos universitários

‘Burnout’ atinge parte muito significativa dos universitários

Os estudantes do Ensino Superior, sobretudo os mais jovens e os que têm redes de suporte emocional mais frágeis, são os maiores alvos do burnout.
A conclusão é de um estudo do Ispa – Instituto Universitário, coordenado por Tânia Brandão e realizado junto de 563 universitários de diferentes regiões do país, cujos resultados o Jornal Económico (JE) divulga em primeira mão.
Os estudantes com padrões de vinculação insegura apresentam maior vulnerabilidade ao burnout. Ao invés, a resiliência – em termos de capacidade de aceitação de si próprio e da vida – e a participação em atividades extracurriculares podem funcionar como fatores de proteção.
A idade e o género também surgem associados ao fenómeno. Os estudantes mais jovens tendem a registar níveis ligeiramente superiores de burnout e menor resiliência, enquanto as mulheres apresentam valores mais elevados de burnout pessoal e académico.
A participação em atividades extracurriculares destaca-se como potencial fator de proteção.
“Os estudantes envolvidos em iniciativas culturais, sociais ou desportivas revelaram níveis mais baixos de burnout pessoal e maior resiliência, evidenciando a importância de promover o sentimento de pertença e combater o isolamento”, pode ler-se entre as conclusões.
Entre as medidas que as instituições de Ensino Superior poderão colocar ao dispor dos estudantes, Tânia Brandão aponta: “a criação de programas de promoção da resiliência, o reforço do apoio psicológico e da mentoria, a disponibilização de ferramentas de gestão do stresse e o incentivo à participação em atividades extracurriculares”.
O estudo recomenda que no regresso às aulas as instituições estejam “particularmente atentas aos estudantes mais jovens e àqueles que enfrentam esta transição com redes de suporte mais frágeis”.
“É importante criar ambientes académicos mais próximos, humanizados e atentos ao equilíbrio entre a vida pessoal e as exigências do percurso universitário, apostando na prevenção antes de surgirem sinais de esgotamento”, conclui Tânia Brandão.

3 Perguntas a Tânia Brandão

Relativamente a “se o burnout está aumentar”…
Na verdade, não há forma de o afirmar, porque não existem estudos longitudinais que sigam a mesma população de estudantes ao longo dos anos. O que os estudos disponíveis mostram é que a prevalência de sintomas de burnout é elevada nos vários estudos que têm sido feitos com esta amostra. Ou seja, mais do que falar de um aumento, o mais correto é falar de um problema estrutural e persistente, que já atinge uma parte muito significativa dos estudantes. Essa elevada prevalência mantida ao longo do tempo é, só por si, motivo de preocupação e de ação, independentemente de conseguirmos ou não provar uma tendência de crescimento.
Porque é que existe esta sobrecarga?
Vários motivos: elevada prevalência de problemas de saúde mental nos mais jovens (ansiedade e depressão e portanto > vulnerabilidade); a questão da solidão e isolamento, que é hoje em dia um problema também dos mais jovens; o uso problemático das redes sociais (que leva a mais fadiga mental, dificuldades de concentração, problemas ao nível do sono); fatores económicos: uma parte considerável dos estudantes trabalha em paralelo com os estudos, e a dificuldade em gerir as duas exigências é uma fonte importante de sobrecarga e de exaustão.
Se as atividades extracurriculares são um fator de proteção, porque estão os estudantes sobrecarregados pelas atividades curriculares?
Penso que a carga curricular, em termos de horas de contacto, mantém-se igual à dos últimos anos. O que eventualmente poderá ter mudado é a disponibilidade dos próprios estudantes para lidar com essa carga, que hoje é menor, por via dos fatores que referi (trabalho paralelo, maior vulnerabilidade de base em termos psicológicos). A isto junta-se o isolamento social, e a solidão é hoje também um problema relevante entre os mais jovens, não só entre os mais velhos, como tradicionalmente se pensava. Com menos disponibilidade e mais isolamento, sobra menos tempo e energia para investir em atividades extracurriculares, que continuam a funcionar como fator de proteção quando existem, mas às quais cada vez menos estudantes conseguem aceder.

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