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O que tem no post?

O que tem no post?

Carlos Moedas tem um problema, comunica. Comunica muito, comunica depressa e, sobretudo, comunica sempre e, normalmente, mal. Morre Jorge Palma, Moedas comunica. E, no meio da homenagem, cita “O Primeiro Dia”, de Sérgio Godinho. Perante o reparo, não recua, comunica outra vez, agora para explicar que o sabia.
Dias depois, pega num vídeo que anda a circular há quase uma semana: uma jovem rouba o microfone a um cantor em direto na RFM e canta “o que tem no carro?”. Moedas aproveita o “cais”, mete o Cais do Sodré ao barulho e lá vai mais um vídeo engraçadinho. Pequeno problema. A menina dizia mesmo “carro”. Já tinha até ido à televisão explicá-lo. É enternecedor.
Moedas entrou no Governo com uma função feita à sua medida: acompanhar a execução do memorando da troika. Havia uma lista, havia medidas, havia quadradinhos para cumprir. Na Comissão Europeia, era enviar cheques de investimento. Agora, estamos na política da checklist digital. Homenagem: feito. Meme da semana: feito. Vídeo descontraído: feito. Trend: feito. Próximo.
O problema aqui, na verdade, nem é Moedas. É aquilo que exemplifica tão bem. Uma política aterrorizada com a possibilidade de passar 24 horas sem aparecer no feed, porque governar já não basta, é preciso provar, todos os dias, que se está online.
Comunicar deixou, assim, de ser explicar o que se faz. Passou, demasiadas vezes, a ser aquilo que se faz. E quando a prioridade é marcar presença na trend, sobra pouco tempo para confirmar quem escreveu a música, ou simplesmente ouvir o que dizia a menina do microfone.
No fundo, a pergunta do meme serve perfeitamente à política contemporânea. O que tem no post? Quase nada. Mas está publicado.

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