Stet investe seis milhões em Beja
A Stet, empresa de equipamentos industriais para vários setores, viu o seu negócio crescer 20% em 2025 e que se traduz em 96 milhões de euros de faturação. O objetivo para este ano, data em que comemora 65 anos, passa por continuar a crescer na ordem destes valores, diz ao Jornal Económico (JE) o diretor-geral da empresa, Tiago Isidoro: “Acreditamos que vamos voltar a crescer perto de 20% para perto dos 120 milhões”.
Este responsável avança com uma previsão de crescimento da empresa a dois dígitos, ritmo que deverá estender-se para os próximos dez anos. Justifica-o com o plano de investimento público previsto para Portugal para esse período. Do comboio de alta velocidade às barragens, do novo aeroporto de Lisboa ao novo hospital também na capital, bem como uma possível terceira travessia sobre o rio Tejo. “Representam o maior ciclo de investimento desde a Expo 98 e a construção da ponte Vasco da Gama, embora distribuído por um período mais longo. Agora, se vamos crescer a 10%, 20% ou 30%, depende da veracidade da execução dos planos”, sublinha. A empresa com sede no Prior Velho, à beira da A1, mesmo à entrada de Lisboa, tem estado a expandir as suas localizações. Depois de ter aberto um centro na Madeira, reiniciaram operações em Leiria e recentemente investiram seis milhões de euros em Beja. “Temos uma concentração muito grande nos principais centros económicos do país, Lisboa e Porto é um erro gigante. O nosso investimento mais recente foi feito em Beja, a capital de distrito mais pobre de Portugal”. Porquê? Tiago Isidoro diz que existem oportunidades em ir para uma periferia. “Fazendo-o bem e criando valor para a comunidade local, recebemos em dobro”. Além das várias localizações em Portugal – também estão presentes na Maia- a Stet tem uma unidade de negócio em Cabo Verde.
Dificuldades estruturais
“O país não está preparado, neste momento, para o plano de investimentos que aí vem”, diz Tiago Isidoro. Para o diretor-geral, este é um dos principais desafios do setor. “Com o investimento que vai existir, nós vamos sempre ganhar, mas o problema é o que vem depois. Depois da Expo 98 e da ponte Vasco da Gama, e antes do subprime, existiu um vazio [de investimento público]. “A dúvida é saber qual o mindset que ficará na indústria depois do próximo ciclo de investimento público”, acrescenta. Ogestor indica ao JEoutra das dificuldades do setor que gostava de ver ultrapassada:“Transformar o racional do empresário português”. Faz questão em ressalvar ainda outro “grande problema”. “A falta de capacidade em reter e atrair uma nova geração para a industria. Precisamos de uma área produtiva, efetivada por técnicos produtivos, e já agora, com uma componente tecnológica avançada. Porque ainda se olha para a mão de obra técnica como manual. E hoje os equipamentos são tecnologicamente avançados para se conseguir uma produtividade elevada”. Diz mesmo que a evolução tecnológica é essencial, e dá um exemplo: “Temos um cliente que nos comprou duas máquinas tecnologicamente avançadas, cada uma custou 200 mil euros, e tem as máquinas paradas por falta de trabalhadores com habilitações para as operar”. Para colmatar a atraçao de talento jovem e a sua retenção, a Stet quer juntar gestores e profissionais da indústria e universidades”. Faltam espaços e entidades que possam unir as necessidades e as valências, aponta. “Se os meus clientes não avançarem, também ficarei sem mercado”.
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