Maninhos da UNITA: qual é a estratégia para 2027?
A menos de um ano da realização das eleições gerais angolanas, a decorrer na segunda quinzena do mês de Agosto de 2027 — nos termos do n.º 2 do artigo 112.º da Constituição de Angola de 2010 —, ainda não se conhece de que forma a UNITA pretende concorrer às eleições de 2027: através de uma coligação formal ou de uma frente ampla, com ex-filiados de partidos e figuras da sociedade civil. Depois do último Congresso, o partido legitimou a sua direcção, particularmente o seu Presidente, para desenhar uma estratégia eleitoral que pudesse levar o partido ao poder. Mas, até ao ensejo, não se conhece qual a decisão final da direcção do partido.
Esta demora na tomada de uma decisão quanto à estratégia político-eleitoral a ser adoptada pela UNITA pode retirar-lhe capacidade efectiva de controlar a dinâmica de alternância de poder e de influenciar a agenda política no que diz respeito ao discurso sobre a necessidade urgente da saída do MPLA do poder, enquanto condição sine qua non para se iniciar um processo de democratização do país.
Enquanto a UNITA se mantém num estado de hesitação e de calculismo quanto aos riscos político-eleitorais no caso de assumir uma coligação formal como um caminho eleitoral possível. Por sua vez, os novos partidos estão a trabalhar no sentido de projectar o seu nome no mercado eleitoral e acabam, assim, por legitimar o processo eleitoral, dado que transmitem a ideia segundo a qual as eleições servirão, sobretudo, para eleger os representantes dos angolanos.
O discurso da UNITA, assente na retórica da necessidade de democratizar o país, acaba por implicar, necessariamente, um esforço comum e um sacrifício partilhado por parte de todos os defensores da democracia. Este discurso em defesa da democratização do país devia obrigar a UNITA a apresentar uma coligação formal, que não obrigue a um processo de desfiliação dos membros dos outros partidos para constarem da lista da UNITA em 2027. Porque a frente ampla significará que os partidos deixarão de ter filiados e correrão o sério risco de desaparecer devido à falta dos seus membros e quadros.
É sempre importante relembrar que a História nos ensina que a alternância de poder implica, quase sempre, a construção de uma frente política ampla e, por vezes, paradoxal, em termos de alianças, que resulta, muitas vezes, de uma perspectiva pragmática de decidir num determinado momento histórico. Recorde-se que os mencheviques e os bolcheviques, apesar das suas divergências, convergiram estrategicamente, em determinados momentos, na oposição ao regime czarista na Rússia.
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