A carregar agora

Cristiano Ronaldo e Guardiola, como caem os gigantes com pés de barro

Cristiano Ronaldo e Guardiola, como caem os gigantes com pés de barro

No espaço de uma semana, o futebol verá cair três das maiores figuras de toda a sua história, em cenários drasticamente diferentes. Mais concretamente, Cristiano Ronaldo, Pep Guardiola e Lionel Messi, todos eles por motivos distintos, sendo uns claramente mais simples de evitar do que outros.
 
Nabucodonosor da Babilónia, diz a Bíblia, imaginou uma estátua feita de ouro, prata, bronze, ferro e barro, quando uma pedra se soltou da montanha e a abateu como se nada fosse. Cristiano Ronaldo da Madeira, diz-nos os nossos próprios olhos, imaginou um legado sem igual feito de ouro e recordes, que colapsou sob o peso da própria bazófia.
Cristiano Ronaldo tinha tudo e estava convencido de que tudo podia fazer. É, porventura, o jogador que mais se preparou, do ponto de vista físico e mental, para alcançar níveis que nenhum outro tinha alcançado. A estátua perfeita, que julgava não precisar do mínimo apoio, quando foi, precisamente, o apoio que lhe faltou.
Podemos especular que, apesar de todos os seus reconhecidos defeitos, Jorge Mendes teria conseguido evitar este desmoronamento, já que foi desde o ‘divórcio’ entre ambos que tudo desabou. Podemos também imaginar que ouvir os conselhos de um bando de iletrados não tenha ajudado a perceber ao certo o ponto em que estava.
Cristiano Ronaldo preferiu confiar que a gratidão era eterna, e esqueceu-se que também ele tinha dívidas por saldar. Nomeadamente, com Jorge Jesus, já que é preciso não esquecer que, não tivesse o agora selecionador nacional aceite orientar o Al Nassr, possivelmente, teria passado pela vergonha de não ter conseguido sagrar-se campeão na Arábia Saudita.
A história de Pep Guardiola é diferente. Um visionário, um revolucionário, cujas ideias futebolísticas foram copiadas um pouco por todo o mundo até à exaustão. No entanto, de treinadores inovadores está o centro de emprego cheio, e, dada a crueldade deste desporto, seria invariavelmente por lá que teria acabado, se não fossem os títulos conquistados.
No Barcelona, Pep Guardiola ergueu 14 troféus, entre 2008 e 2012, que é como quem diz, no auge do período em que o então vice-presidente do Comité Técnico de Árbitros da Real Federação Espanhola de Futebol, José María Enríquez Negreira, seria um assalariado do próprio clube, de acordo com as provas enviadas pelo Real Madrid à UEFA.
No Manchester City, foram 20 as taças alcançadas, entre 2016 e 2026, ou seja, sob sucessivas injeções de capital ilegalmente levadas a cabo pelos Emirados Árabes Unidos, que lhe permitiram esbanjar dinheiro em reforços aos quais ninguém mais teve acesso, segundo as conclusões alcançadas por uma Comissão Independente da Premier League.
Sobra, assim, a hegemonia do futebol alemão que manteve durante o período em que comandou o Bayern Munique, entre 2013 e 2016, quando a diferença para a concorrência era tanta que, não será ousado dizer, complicado seria fracassar a nível interno (ao contrário do que sucedeu, no plano internacional).
Sobra-nos Lionel Messi, um ser humano com os seus defeitos (ninguém esquece a maneira como ‘validou’ Donald Trump, na Casa Branca, em março), mas cuja genialidade, ao contrário do que acontece com Cristiano Ronaldo e Pep Guardiola, reside, sobretudo, na maneira como soube aceitar os próprios ‘handicaps’ para reclamar o trono do futebol.
Aos 39 anos de idade, sabe que o corpo já não acompanha o cérebro como antes, pelo que optou por abandonar a seleção argentina antes que o futebol o abandonasse. Na madrugada de terça para quarta-feira, será com pena que o desporto-rei assistirá à despedida de um gigante que transformou o barro em ouro… da cabeça aos pés.

Parabéns. Estamos em 2026 e ser adepto de futebol é uma *****
O espaço de opinião de Carlos Pereira Fernandes, editor de Desporto do Notícias ao Minuto. Em análise, está o tratamento rasteiro que os adeptos de futebol continuam a merecer, nos estádios, em casa e não só.
Carlos Pereira Fernandes | 08:32 – 28/09/2026

Share this content:

Publicar comentário