Jogos Olímpicos de Inverno 2026: os riscos digitais que espreitam nos Alpes italianos
Segundo a Kaspersky, empresa internacional de cibersegurança, grandes eventos internacionais atraem não apenas fãs e atletas, mas também cibercriminosos sofisticados. “Eventos desta dimensão atraem atenção significativa por parte de agentes sofisticados, e as ameaças podem afetar espectadores, infraestruturas urbanas, atletas e milhões de utilizadores digitais antes, durante e após o evento”, explica Dmitry Galov, responsável da Kaspersky na Rússia e CEI.
Ransomware: lucro à custa do caos
Grupos de ransomware veem nos Jogos um alvo de alto valor. Hotéis, estádios, plataformas de venda de bilhetes e fornecedores ligados ao evento podem ser atacados com o objetivo de extorsão financeira. A elevada procura por experiência presencial aumenta o risco de que qualquer interrupção possa gerar lucros significativos para os atacantes.
APT: ataques persistentes e sofisticados
As Ameaças Persistentes Avançadas (APT) representam outro perigo. Estes grupos miram infraestruturas críticas e cadeias de abastecimento complexas, com ataques direcionados a sabotagem e interrupção do evento. Recorde-se o Olympic Destroyer, que em 2018 comprometeu a infraestrutura de TI dos Jogos de PyeongChang, perturbando operações através de credenciais roubadas.
Hacktivismo e desinformação
Grupos de hacktivistas podem explorar a visibilidade internacional para promover agendas políticas ou sociais. O alvo pode ser qualquer sistema associado ao evento: redes de transmissão, bilhética, ou plataformas digitais. O resultado? Roubo e divulgação de dados, campanhas de desinformação e interrupções de serviço que afetam tanto espectadores como organizações.
A cidade como alvo
Não são só os sistemas ligados ao evento que estão em risco. Redes de transporte, serviços públicos, redes Wi-Fi públicas vulneráveis e outras infraestruturas urbanas podem ser comprometidas. Um estudo da Kaspersky, realizado em 2024 antes dos Jogos de Paris, mostrou que 25% dos hotspots gratuitos na cidade apresentavam fraca ou nenhuma encriptação, expondo dados pessoais e bancários dos utilizadores.
Atletas na mira
Os próprios atletas não escapam. Phishing direcionado, deepfakes, sequestro de contas de redes sociais ou doxing podem colocar em risco a sua segurança pessoal e reputação online. Informação pública, combinada com tecnologia avançada, cria oportunidades para chantagem e ataques sofisticados.
O público também é vulnerável
Milhares de espectadores deslocam-se ao país anfitrião, enfrentando riscos como bilhetes falsos e fraudes que podem levar ao roubo de fundos ou credenciais de carteiras digitais. Online, transmissões falsas e websites de merchandising fraudulentos são armadilhas frequentes. Para se proteger, os especialistas recomendam soluções digitais seguras, como a Kaspersky eSIM Store, que substitui cartões SIM físicos e reduz riscos de fraude.
Enquanto os olhos do mundo estão postos nas pistas de gelo e nas descidas vertiginosas, há uma corrida silenciosa a decorrer no ciberespaço. Para organizadores, atletas e fãs, a segurança digital é agora tão importante quanto a preparação física para os Jogos.
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