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Crédito Agrícola com resultados consolidados a caírem 30,4% para 241,6 milhões

Crédito Agrícola com resultados consolidados a caírem 30,4% para 241,6 milhões

O resultado líquido acumulado de 241,6 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, que corresponde a uma redução homóloga de 105,5 milhões de euros, ou -30,4%. A rentabilidade de capitais próprios ascendeu a 10,9% nos nove meses do ano.
O produto bancário registou uma queda homóloga de 14,0%, correspondente a -112,5 milhões de euros, para 689,1 milhões de euros.
O CEO Sérgio Frade destaca que “nos primeiros nove meses de 2025, num contexto desafiante, de elevada incerteza e de redução material dos níveis de taxas de juro face ao período homólogo, o Grupo Crédito Agrícola manteve um crescimento sustentável, consolidou as suas quotas de mercado (crédito em 6,1% e depósitos em 8,2%) e alcançou resultados líquidos acumulados de 241,6 milhões de euros e uma rentabilidade dos capitais próprios de 10,9%”.
“Os rácios de solvabilidade (CET1 e Fundos Próprios Totais) ascenderam a 23,4% e conjuntamente com os rácios de liquidez, confirmam a manutenção de uma margem muito confortável face aos requisitos prudenciais e orientações da supervisão”, acrescentou.
O banco liderado por Sérgio Frade revela que para os resultados consolidados dos nove meses “contribuíram os desempenhos positivos das principais componentes do Grupo (banca, seguros vida e não vida e gestão de activos)”.
Com efeito negativo surge o decréscimo da margem financeira em 99,3 milhões de euros face ao período homólogo (-16,8%) para 493,5 milhões de euros, em função da redução das taxas Euribor, às quais estão indexadas as carteiras de crédito, e do aumento de volume em depósitos a prazo, tendo-se verificado uma redução das taxas médias de depósitos a prazo ao longo dos últimos meses.
Bem como o crescimento dos custos de estrutura em 5,5% para 349,5 milhões de euros (+18,1 milhões de euros face ao período homólogo), decorrentes sobretudo do esforço do Grupo com o aumento de custos com pessoal em 7,6% face ao período homólogo (+15,2 milhões de euros).
Ao contrário dos seus concorrentes, o Crédito Agrícola registou nos nove meses um “reforço acrescido de provisões e imparidades, de 26,4 milhões de euros, o que compara com um reforço de 8,3 milhões de euros nos nove meses de 2024 (+18,1 milhões de euros), verificando-se um custo do risco de crédito de 0,19%.
Contribuiu ainda para a performance dos lucros a redução homóloga dos outros resultados em 16,3 milhões de euros; e a diminuição homóloga do resultado de operações financeiras em 4,9 milhões de euros, para 19,6 milhões de euros nos nove meses
Em sentido contrário, ajudou à conta de resultados o crescimento das comissões líquidas em 6,1 milhões de euros (+5,4%) para 119,4 milhões de euros, “em resultado de um aumento da transaccionalidade de cliente”; o acréscimo em 1,9 milhões de euros (+2,6%) em resultados de contratos de seguros, para um total de 73,6 milhões de euros até setembro; e a redução de 35,3% dos Impostos face ao registado no período homólogo de 2024 (-38,4 milhões de euros) para 70,4 milhões de euros.
As seguradoras do Grupo CA apresentaram um contributo para o Resultado Líquido Consolidado de 13,2 milhões de euros nos noves meses, tendo a CA Vida apresentado um resultado líquido de 7,4 milhões de euros e a CA Seguros de 5,9 milhões de euros, o que compara com um contributo total de 14,6 milhões de euros no , correspondendo a um decréscimo anual de 9,6%.
As comissões líquidas ascenderam a 119,4 milhões de euros nos nove meses, registando um acréscimo de 6,1 milhões de euros (+5,4%) face ao período homólogo.
A evolução verificada decorre essencialmente do crescimento de 9,9% das comissões referentes a emissão e pagamentos relacionados com cartões (+4,9 milhões de euros), bem como das comissões de montagem de operações (+1,5 milhões de euros, ou +81,6%).
Estes efeitos foram parcialmente atenuados pelo decréscimo em 3,5% das comissões de operações de crédito (-1,0 milhões de euros), bem como pelo aumento das comissões pagas (+1,4 milhões de euros ou +5,8%), parcialmente relacionado com custos da emissão obrigacionista levada a cabo em Janeiro de 2025.
O grupo CA revela que os resultados de contratos de seguros cresceram 1,9 milhões de euros (+2,6%) face a Setembro de 2024, para 73,6 milhões de euros.
Os outros resultados cifraram-se em -17,1 milhões de euros, o que compara com -0,8 milhões de euros no período homólogo. Nesta rubrica, as contribuições obrigatórias que recaem sobre o sector bancário mantiveram-se estáveis face aos nove meses do ano anterior, cifrando-se em 9,8 milhões de euros.
Eficiência cai
Os custos de estrutura atingiram os 349,5 milhões de euros durante o que traduz um acréscimo de 5,5%, ou 18,1 milhões de euros, por comparação anual. “Este acréscimo justificou-se principalmente pelos custos com pessoal, que registaram um aumento de 7,6% (+15,2 milhões de euros), devido aos impactos das actualizações da tabela salarial efectuadas no primeiro trimestre, sobre o universo de colaboradores do Grupo, bem como do aumento do número de colaboradores do Grupo para um total de 4.439 (+3,6%) e do pagamento de prémios de desempenho relativos à performance Grupo em 2024”, explica o banco.
O Grupo CA revela um rácio de eficiência com uma evolução homóloga de +9,4 p.p. para 50,7%, face aos 41,3% que se registaram no período homólogo, justificado pelo crescimento dos custos operacionais e pelo desempenho da componente do produto bancário nos nove meses. Leia-se a eficiência piorou por conta da subida dos custos e pela queda das receitas.
Sobre as imparidades e provisões do exercício o grupo explica que foram reforçadas em 26,4 milhões de euros, o que compara com um reforço líquido de 8,3 milhões de euros no período homólogo.
As provisões do exercício verificaram uma reversão líquida de 1,9 milhões de euros nos nove meses, que compara com uma reversão líquida de 0,6 milhões de euros nos mesmo período de 2024 (uma variação homóloga positiva de 1,3 milhões de euros).
Mas nos nove meses, verificou-se um reforço líquido das imparidades de crédito no montante de 25,8 milhões de euros, mais do que compensando o impacto positivo de 17,5 milhões de euros em recuperações de créditos e juros incobráveis (créditos abatidos ao activo).
“O montante das imparidades de crédito inclui ainda um reforço da componente de overlay, reflectindo a incerteza macroeconómica, marcada por tensões de cariz geopolítico, o potencial impacto das tarifas alfandegárias impostas pelos EUA nas empresas. As imparidades e provisões do exercício registaram, assim, um acréscimo de 18,1 milhões de euros, em comparação com o reforço de 8,3 milhões de euros registado nos meses meses de 2024. Isto explica que o custo do risco de créditos se tenha fixado em 0,19%.
Balanço com crédito a crescer ajudado pelo crédito jovem com garantia pública
O ativo total do Grupo Crédito Agrícola ascende a 28.875 milhões de euros, o que traduz um acréscimo de 8,7% face a setembro de 2024.
Do total de ativo, cerca de 13.597 milhões de euros correspondem à carteira de crédito (bruto) a clientes, valor que apresentou um acréscimo de 11,1%% face a setembro de 2024. A quota de mercado em crédito concedido a clientes (total) registou o valor de 6,1%.
Neste crescimento está incorporada a evolução favorável verificada no segmento de crédito habitação no valor de 333,2 milhões de euros (ou +9,5%) face a Dezembro de 2024. O segmento de crédito habitação cresceu, assim, pelo sexto trimestre consecutivo, prosseguindo com a trajectória de recuperação verificada desde o início de 2024.
O Crédito Agrícola disponibiliza também crédito habitação ao segmento jovem, no âmbito do esquema de garantias públicas em vigor, cabendo ao Crédito Agrícola um montante total de 34,6 milhões de euros de garantias públicas.
Até 30 de Setembro de 2025, tinham sido concedidos 112,0 milhões de euros de crédito habitação a jovens, correspondendo a 669 contratos e a 16,1 milhões de euros de garantia pública.
Do outro lado do balanço, no final de Setembro de 2025, os recursos de clientes sob a forma de depósitos bancários ascendiam a 23.174 milhões de euros subindo 9,1% num ano. Já a totalidade dos recursos de clientes (incluindo os que estão fora do balanço, como aplicações em fundos, entre outros) subiram 9,5% face a setembro de 2024.
Qualidade da carteira de crédito
No final de Setembro de 2025, o peso da exposição de crédito do Grupo CA classificada em Stage 3 ( crédito em incumprimento ou default), tenha decrescido em 1,7 p.p. por comparação com setembro de 2024 (-0,4 p.p. face a dezembro de 2024), cifrando-se em 3,5%. No mesmo sentido, o peso da exposição em Stage 2 (crédito sem incumprimento, mas onde foram identificados critérios de degradação de risco) decresceu 2,6 p.p. face ao final de 2024, cifrando-se em 8,3% no final de setembro, o que compara com 10,9% no final do ano anterior e com 11,7% no período homólogo.
Em termos absolutos, a carteira de NPL registou um decréscimo de 12,0 milhões de euros face a 31 de Dezembro de 2024 para 550,4 milhões de euros em 30 de Setembro de 2025 (-2,1% face ao final de 2024). O decréscimo face ao período homólogo foi de 169,7 milhões de euros, ou -23,6%.
Já o rácio bruto de Non Performing Loans (NPL)  situou-se em 4,2% em setembro de 2025, registando-se um desagravamento de 0,4 p.p. face aos 4,6% no final de dezembro de 2024 e de 1,9 p.p. face a 6,1% em setembro de 2024.
O decréscimo verificado no rácio de NPL é justificado, principalmente, “pelo retorno ao estatuto de crédito em cumprimento, verificado sobretudo nos segmentos do crédito habitação e empresarial”.
O banco detalha que as imparidades de crédito acumuladas, com referência ao final de setembro de 2025, ascendiam a 353,1 milhões de euros, resultando numa cobertura de NPL por imparidades de crédito de 64,1%, um acréscimo de 7,0 p.p face ao final de 2024.
As imparidades de Non Performing Loans acumuladas, com referência ao final de setembro de 2025, ascendiam a 236,4 milhões de euros, resultando num nível de cobertura de NPL por imparidades de NPL de 43,0%.
O rácio Texas, determinado pelo quociente entre o stock de NPL e a soma dos capitais próprios tangíveis com o stock de imparidades, fixou-se nos 18,5% no final de setembro.
O grupo liderado por Sérgio Frade disse ainda que nos nove meses, a exposição imobiliária do Grupo CA reduziu 14,2%, ou -43,0 milhões de euros, face a dezembro de 2024, para 259,9 milhões de euros (exposição bruta directa e indirecta).
A cobertura por imparidades da exposição imobiliária bruta cifrou-se em 55,4% no final de Setembro de 2025 (53,4% no final de 2024).
Finalmente o Grupo revela também os rácios de capital e liquidez. O Grupo Crédito Agrícola apresenta um nível de solvabilidade, medido pelos rácios common equity tier 1 (CET1) e de fundos próprios totais de 23,4%, um rácio de alavancagem de 10,1%, um rácio de cobertura de liquidez (LCR) de 368,4% e um rácio de financiamento estável (NSFR) de 174,8%, “todos acima dos níveis mínimos recomendados ou requeridos. Os rácios mencionados são calculados com base nos critérios CRR3”.
 

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