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Seguradoras marítimas cancelam cobertura de risco e travam rotas no Golfo Pérsico

Seguradoras marítimas cancelam cobertura de risco e travam rotas no Golfo Pérsico

A ofensiva militar entre os Estados Unidos, Israel e o Irão começou a produzir efeitos imediatos no comércio internacional. Segundo o jornal britânico The Guardian, várias das maiores seguradoras marítimas do mundo anunciaram o cancelamento da cobertura de risco de guerra para navios que operam no Golfo Pérsico e nas águas próximas do Irão, uma decisão que levou vários armadores a suspender travessias numa das rotas energéticas mais importantes do planeta.
O Finantial Times acrescentou que as empresas se preparam para negociar a preços mais altos diante da escalada militar. “Os prémios de risco de guerra podem subir até 50%”, diz Dylan Mortimer, líder de seguros de guerra marítimos da corretora Marsh ao FT.
Os cancelamentos surgem após os ataques militares conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos iranianos no final de fevereiro, que desencadearam ameaças e ações de retaliação por parte de Teerão. De acordo com a Al Jazeera, o aumento da tensão militar fez cair rapidamente o tráfego no Estreito de Ormuz, um corredor estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás transportado por via marítima no mundo e serve de rota para os navios que saem da região produtora caso da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, irão e do Kuwait rumo à Ásia, Europa e Américas. Só para ter uma ideia, o estreito é responsável pelo transporte de até 20,8 milhões de barris de petróleo e gás diariamente. Outras transportadoras para não suspender as rotas estão a contornar África pelo Cabo da Boa Esperança para evitar a região.
Entre as entidades que anunciaram a suspensão da cobertura estão várias organizações internacionais de proteção e indemnização (P&I), responsáveis por segurar uma parte significativa da frota mercante mundial. Segundo o The Jerusalem Post, estas organizações notificaram armadores de que a cobertura de risco de guerra deixaria de se aplicar a navios que naveguem em águas iranianas ou em áreas do Golfo Pérsico, em alguns casos com efeitos imediatos.
“Este tipo de seguro é essencial para a atividade marítima. Sem cobertura para riscos de guerra — que inclui danos provocados por ataques militares, terrorismo ou sabotagem — muitos armadores deixam de operar numa determinada região, uma vez que portos, financiadores e contratos comerciais exigem apólices válidas”. Esta explicação é destacada pela Reuters, que sublinha o papel crítico do seguro no funcionamento do comércio marítimo internacional.
O impacto foi quase imediato. Segundo a Reuters, mais de uma centena de navios, incluindo petroleiros e transportadores de gás natural liquefeito, ficaram fundeados ou a aguardar instruções nas proximidades do Estreito de Ormuz à medida que os operadores avaliavam os riscos de atravessar a região.
Várias companhias de transporte começaram também a rever operações no Golfo. De acordo com o The Guardian, algumas transportadoras internacionais decidiram reduzir atividade na zona ou desviar rotas, receando ataques a embarcações comerciais.
Perante o risco de perturbações prolongadas numa das principais artérias energéticas do planeta, governos e operadores financeiros começaram a discutir soluções para restaurar a confiança no transporte marítimo. Segundo a Reuters, estão em análise mecanismos como garantias públicas ou esquemas especiais de seguro que permitam retomar o tráfego de petroleiros através do Estreito de Ormuz.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos numa publicação na rede social Truth Social citado pela revista brasileira Exame disse ter acionado o US International Development Finance Corporations (DFC) para que este ofereça seguro de risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimos que transite pelo Golfo. “O plano também prevê que a marinha dos EUA possa escoltar navios petroleiros, caso seja necessário.”

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