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Estão 130 milhões de barris de petróleo “parados no mar” (o consumo mundial de um dia)

Estão 130 milhões de barris de petróleo “parados no mar” (o consumo mundial de um dia)

As fortes subidas registadas tanto no Brent e o WTI estão a ser impulsionadas sobretudo pela probabilidade de uma disrupção prolongada no Golfo e, em particular, a funcionalidade do Estreito de Ormuz.
Para contexto, neste momento estão cerca de 130 milhões de barris de petróleo “parados no mar”, o que é um pouco mais do que o consumo mundial de um dia.
A situação atual em nada se pode comparar com o período de 2022 com o início da invasão da Rússia à
Ucrânia, uma vez que, na altura, havia uma procura muito superior à oferta – algo que nos dias de hoje não se verifica. A procura tem estado muito baixa em relação à oferta e o aumento consistente dos preços deverá intensificar ainda mais esse gap.
Economias mais afetadas
A União Europeia deixou claro que vê a situação como ameaça direta à liberdade de navegação,
cadeias de abastecimento e estabilidade dos mercados globais de energia, com referência explícita ao Estreito de Ormuz.
Em paralelo, Bruxelas mantém a pressão sobre a energia russa, incluindo o novo price cap do crude russo em USD 47,6/bbl, o que reduz ainda mais a margem para absorver choques sem impacto em preços e inflação.
A indústria europeia está muito exposta à situação atual, onde os indicadores têm demonstrado sinais de recuperação do setor, mas a um ritmo muito lento e o atual cenário de aumentos dos preços da energia deverá ter consequências severas para o setor, se esta situação se prolongar durante muito tempo e se não forem alcançadas soluções.
A Ásia é o maior consumidor de petróleo e gás que passa pelo Estreito de Ormuz, com a China, Índia, Japão e Coreia do Sul representando, juntos, 69% de todo o petróleo que passa por essa rota.
O Japão e a Coreia do Sul são os mais vulneráveis a possíveis interrupções no abastecimento, com cada
país dependendo de Ormuz para 60-75% de suas importações de petróleo, enquanto a China tem reservas estratégicas maiores e fontes alternativas de abastecimento.
Posição de Donald Trump
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem comentado a evolução da operação “Epic Fury”,
dando a entender várias vezes que o impacto do preço da energia deverá ser limitado a curto prazo
e a longo prazo deverá ser diluído por outros fatores ao mesmo tempo que também tem insistido
que a operação conjunta com Israel era extremamente necessária para a paz global.
Através das redes sociais, no Truth Social o presidente americano tem dito também que os preços do
petróleo no curto prazo são “a very small price to pay” para o “safety and peace”, sinalizando que aceita crude mais alto se isso servir objetivos estratégicos. A Reuters também reportou que os EUA recusaram, para já, recorrer à Strategic Petroleum Reserve, afirmando: “if they rise, they rise”.
Concluindo, enquanto o mercado não tiver evidência de normalização operacional no Golfo, a volatilidade nos mercados deverá manter-se elevada e o prémio geopolítico no petróleo deverá manter-se visível. Por outro lado, não se deve afastar um cenário de fortes quedas nos preços da energia e a uma recuperação generalizada dos índices bolsistas, assim que surgirem sinais de que pode haver uma diminuição da escalada do conflito.

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