Portugal testa infraestrutura estratégica na Altice Labs para competir no Mercado Europeu de Dados
Portugal deu um passo importante para se afirmar na economia digital europeia. Este mês, foi realizado o primeiro teste de uma nova infraestrutura de dados chamada ED-X, nas instalações da Altice Labs, em Aveiro.
O ensaio tecnológico realizado em Aveiro, na TestBed ED-X, validou a infraestrutura estratégica que permitirá às empresas nacionais monetizar e partilhar ativos digitais com segurança, integrando-as nas cadeias de valor europeias através de um modelo de negócio inovador e soberano.
Este projeto faz parte do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da Componente 16 – “Empresas 4.0”, e tem um investimento de cerca de 1,7 milhões de euros. Até junho de 2026, estão previstos 43 testes semelhantes.
Os 43 pilotos são todos focados em capacitar o tecido empresarial português para integrar as cadeias de valor digitais europeias e desenvolver novos modelos de negócio baseados na economia de dados.
O objetivo deste projeto é ajudar o país a competir no futuro Mercado Único Europeu de Dados, onde empresas e organizações vão poder partilhar informação de forma segura e controlada.
“A iniciativa coloca o país na linha da frente da construção do Mercado Único Europeu de Dados, validando uma infraestrutura preparada para as exigentes normas técnicas e regulatórias da União Europeia”, segundo o comunicado conjunto das entidades envolvidas.
A tecnologia usada neste projeto segue padrões europeus como a Gaia-X e a International Data Spaces Association. Na prática, isto significa que os dados podem ser partilhados entre diferentes plataformas, mas sempre com controlo por parte de quem os cria.
Este primeiro teste foi desenvolvido em parceria entre a QART e a Altice Labs. Durante o piloto, foi criado um “contrato digital” que permitiu a troca automática de dados entre as duas entidades, seguindo regras previamente definidas.
“O ensaio, desenvolvido em parceria entre a QART e a Altice Labs, simulou a criação de um contrato digital para a partilha de dados. O processo incluiu a troca efetiva de informação com a execução automática de condições definidas num Service Level Agreement (SLA)”, lê-se no comunicado. Para isso a Altice Labs desenvolveu uma API específica para conectores IDSA, “assegurando que os dados proprietários permanecem sob o controlo do seu titular durante todo o processo”, refere a nota.
Uma das grandes vantagens deste sistema é permitir que empresas possam ganhar dinheiro com os seus dados sem perder controlo sobre eles. Além disso, reduz riscos legais e técnicos associados à partilha de informação.
O projeto ED-X envolve várias empresas e organizações, incluindo a TICE.PT, a IP Telecom, a NOS e a Vodafone. A liderança está a cargo da Sooma.
A ED-X posiciona-se assim como uma infraestrutura habilitadora para a internacionalização das empresas portuguesas, criando condições para o desenvolvimento de serviços digitais exportáveis e para a integração em ecossistemas europeus de inovação.
“Este modelo demonstra que é possível transformar dados em ativos financeiros sem abdicar da segurança. Ao operacionalizar princípios de governação de dados, o piloto valida a viabilidade económica desta arquitetura, permitindo que as empresas criem novos fluxos de receita e reduzam riscos jurídicos e tecnológicos”, explicam as empresas.
A QART, líder nacional na medição da Qualidade do Ar, Ruído e Tráfego, com milhões de medições realizadas em todo o território nacional, considera estratégica a participação na TestBed. A empresa pretende adquirir competências nas tecnologias Gaia-X e IDSA, preparando-se para disponibilizar aos seus clientes modelos normalizados e interoperáveis de transmissão de dados, alinhados com os standards europeus.
A ED-X utiliza arquiteturas alinhadas com os padrões internacionais Gaia-X e International Data Spaces Association (IDSA). Na prática, isto significa que as empresas podem partilhar e explorar dados mantendo o controlo total sobre a informação, garantindo a interoperabilidade entre diferentes plataformas.
Com esta iniciativa, Portugal quer ajudar as suas empresas a entrar em cadeias de valor europeias baseadas em dados, numa altura em que a economia digital é cada vez mais importante para a competitividade.
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