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Hungria: Viktor Orbán cada vez mais perto do fim

Hungria: Viktor Orbán cada vez mais perto do fim

A apenas duas semanas das eleições parlamentares na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán parece estar a dirigir-se a passos largos para o ocaso da sua vida política: com o escrutínio marcado para 12 de abril, o partido de Orbán, o Fidesz, não consegue diminuir em nada a diferença que o separa do partido rival, o Tisza, liderado por Péter Magyar. Neste momento, o Tisza tem 48% de intenções de voto e o Fidesz 39%, com as linhas dos gráficos das sondagens a manterem-se paralelas há cerca de meio ano – ou seja, a diferença tem-se mantido constante entre os sete e os nove pontos percentuais.
Primeiro-ministro ininterruptamente desde 2010, depois de ter debutado no cargo entre 1998 e 2002, Viktor Orbán tratou de dramatizar a campanha eleitoral, acusando a União Europeia de um qualquer conluio com a Ucrânia para dinamitar as suas hipóteses de voltar a ser o mais votado. Orbán chegou mesmo ao ponto de vetar a criação de um pacote de financiamento comunitário da Ucrânia da ordem dos 90 mil milhões de euros – já depois de o ter aceitado. Para a mudança de posição, alegou que Kiev não quer restabelecer a utilização do oleoduto Druzhba, que liga a Rússia à Hungria, colocando em perigo a segurança energética do país.
 
Duas forças em contrário
Segundo os analistas, Orbán escudou-se sob a proteção do seu melhor argumento: a perseguição de que alega ser alvo desde sempre por parte da União Europeia. Aliás, neste contexto, a União Europeia é acusada de ter sido mais uma vez infantil: em vez de adiar a votação do financiamento na cimeira da semana passada, manteve o assunto em agenda, tendo por isso permitido que o primeiro-ministro húngaro fizesse o seu ‘número’ para consumo interno. Mesmo assim, e pelo menos no que diz respeito às sondagens, a coisa não funcionou.
E não funcionou, dizem os analistas, ainda por motivos externos. É que, se os húngaros vivem bem com a fricção que existe desde sempre entre Viktor Orbán e sucessivos responsáveis da União Europeia, o mesmo parece não se dar no caso do presidente norte-americano, Donald Trump, que se assume como um indefetível do líder húngaro. Ora, segundo as mesmas fontes, uma coisa é a fricção com Bruxelas, outra bem diferente é o apoio de um líder externo que não parece captar grande admiração entre os húngaros. Ou seja, se as reservas comunitárias foram contraproducentes em relação à sua vontade de ver Orbán perder, o suporte de Trump foi contraproducente em relação à vontade do primeiro-ministro se manter no governo.
 
Quem é Magyar?
Advogado e membro do Parlamento Europeu, Péter Magyar é o ‘pai’ do Partido Respeito e Liberdade (Tisza) – apesar de ter militado no Fidesz na companhia da ex-mulher Judit Varga, antiga ministra da Justiça de Orbán. Há três anos, entrou em rutura com o partido, desistiu de todos os cargos relacionados com o governo e formou uma nova plataforma política para os húngaros descontentes – tanto com o governo como com a inoperante oposição. O discurso de Magyar foi inesperadamente bem recebido pelos magiares (os húngaros) e o seu novíssimo partido conseguiu ficar em segundo lugar nas eleições europeias de 2024, apenas atrás do Fidesz, obtendo quase 30% dos votos.
Em 2024, Péter Magyar divulgou gravações de uma discussão que manteve com a ex-mulher a propósito do famoso escândalo de corrupção Schadl-Volner, o que teve o benefício de o colocar solidamente no lugar de alguém que quer preservar a verdade, contra os esquemas ilícitos do poder de Viktor Orbán. O casamento não sobreviveu.

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