Dubai é um “ecossistema único aberto à inovação, altamente regulado, mas orientado para resultados, escala e excelência”
Paulo Paiva dos Santos lidera, desde fevereiro, o Portuguese Business Council (PBC) no Dubai. No mundo empresarial há mais de 30 anos e à frente de projetos nos Emirados Árabes Unidos (EAU), o novo dirigente falou com o Jornal Económico sobre os planos para os próximos anos como presidente da PBC, por um lado, e sobre o ambiente de negócios e movimentação das empresas portuguesas naquele mercado, por outro.
Acaba de assumir a liderança do Portuguese Business Council (PBC) no Dubai. Qual é a sua visão e prioridades para este mandato?
A visão para este mandato é bastante clara: menos quantidade, mais qualidade; menos improviso, mais estratégia. Em termos de prioridades, quero reforçar o posicionamento institucional do Portuguese Business Council no Dubai; criar valor prático, com foco em resultados concretos e não apenas em eventos sociais; atrair empresas portuguesas com ambição internacional, bem preparadas e com propostas de valor diferenciadas; fortalecer parcerias locais, institucionais e privadas, nos EAU e promover uma imagem moderna, inovadora e credível de Portugal, alinhada com qualidade, know-how e confiança.
Quais considera serem os principais desafios que enfrenta quem quer investir no Dubai?
O grande desafio prende-se com expetativas. Dubai é um mercado para o médio e longo prazo e é preciso investir tempo, recursos e capital. Quando se fala num mercado tão exigente, há espaço para novas empresas, mas todas têm de estar sempre no seu melhor, para se enquadrarem. Há espaço para os melhores, não para todos, e o processo não vai ser, muitas vezes, simples e rápido.
Conhecendo de perto aquele que é o grande centro de negócios dos EAU, como descreve o ambiente empresarial e os tempos que vivemos para investir no Dubai? Como tem evoluído?
O Dubai representa, para mim, um ecossistema único. Está aberto à inovação, é altamente regulado, mas extremamente orientado para resultados, escala e excelência. No Dubai, não se olha a nacionalidades, olha-se para empresas, projetos e pessoas com qualidade e pensamento estratégico.
Quais os principais setores das empresas portuguesas (e europeias) naquela região?
Neste momento, as empresas portuguesas com presença relevante estão em setores como construção e engenharia; arquitetura e design; tecnologia e IT; hotelaria e restauração; FMCG premium e produtos alimentares; moda, calçado e lifestyle e saúde e bem-estar. Mais do que grandes grupos, destaca-se cada vez mais a presença de empresas especializadas, ágeis e com forte proposta de valor, que encontram no Dubai um mercado ideal para escalar.
Que apoios /programas existem para a atração de investimento no Dubai?
Existem Incentivos Fiscais e de Propriedade, Zonas Francas (Free Zones), Vistos de Investimento e Retenção de Talento e Programas de Apoio a Startups e Inovação. Diria que existem apoios para todo o tipo de empresas. O que nós pretendemos é ser mais uma camada de apoio, sob a égide da Dubai Chambers, a organização oficial que representa e apoia o setor empresarial do Emirado do Dubai. Ao longo do meu percurso profissional no Dubai, estive direta ou indiretamente envolvido no apoio à entrada e crescimento de dezenas de empresas, desde startups a empresas já consolidadas, sobretudo, europeias e especificamente portuguesas. O apoio não passa apenas pela presença em eventos sociais ou apresentação de players locais. Vai desde a estratégia de entrada no mercado até ao desenvolvimento comercial e procura de parcerias. O foco está em casos de sucesso sustentáveis, que reforcem a reputação das empresas portuguesas na região.
Como é que este mercado se diferencia dos demais, seja dentro dos EAU, seja no Médio Oriente?
Em relação aos Emirados Árabes Unidos, diria que uma das diferenças passa pela menor dependência do petróleo, sendo a economia mais centrada em comércio internacional, logística, turismo ou imobiliário. Há uma cultura mais liberal e orientada para os estrangeiros, havendo uma grande percentagem de expatriados. Há um ambiente de negócios internacionais e infraestrutura globais, com um dos aeroportos mais movimentados do mundo, um porto estratégico e um centro financeiro internacional. Em relação ao Médio Oriente em geral, há estabilidade e previsibilidade, um modelo económico que vai além do petróleo e um ecossistema internacional.
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