J.P. Morgan: petróleo pode chegar aos 150 dólares no cenário pessimista
O J.P. Morgan Asset Management apresentou esta terça-feira o seu ‘Guide to the Markets’ para o segundo trimestre. Um dos pontos principais esteve ligado à projeção para o preço do petróleo, face ao atual conflito que decorre no Médio Oriente.
A gestora de ativos deu conta das previsões macro ao nível global para o preço do petróleo (brent), nos cenários base, otimista e pessimista. O cenário base para o segundo trimestre é de 119 dólares, para o terceiro trimestre desce para os 81 dólares e no quarto trimestre fica nos 75 dólares.
O cenário otimista prevê que o petróleo atinja os 83 dólares no segundo trimestre baixando para os 75 dólares no terceiro e quatro trimestre. No cenário pessimista o preço desta matéria-prima ficaria nos 150 dólares no segundo trimestre e baixaria para os 138 dólares e para os 125 dólares no terceiro e quatro trimestre.
Para 2028, antes do conflito no Médio Oriente, o cenário base apontava para o petróleo (brent) nos 69 dólares. Com o conflito no Médio Oriente a previsão é que este preço suba. O cenário base para o petróleo, em 2028, se o conflito não se alargar demasiado, é de uma média de 88 dólares, o cenário otimista se o conflito no Irão for curto é de 78 dólares, e o cenário pessimista que aponta para um conflito regional coloca o preço do petróleo nos 123 dólares.
Gestora de ativos considera existirem três perguntas chave para o segundo trimestre
Para o J.P. Morgan Asset Management as perguntas chave para o segundo trimestre serão: analisar como os preços mais altos do petróleo estão a afetar as perspetivas de crescimento e de inflação, o que esperar dos Bancos Centrais neste novo contexto, e como estão posicionadas as carteiras de investimento.
Ao nível do petróleo, e tendo em conta o atual conflito no Médio Oriente, que levou ao condicionamento do Estreito de Ormuz, coloca os países asiáticos como aqueles que estão mais expostos às perturbações no Estreito. O maior importador é a China com 37,7% da quota do petróleo que passa pelo Estreito, seguindo-se a Índia (14,7%), e outros países asiáticos (13,9%). Segue-se a Coreia do Sul e o Japão com quotas de 12% e 10,9%.
O J.P. Morgan alerta que serão os consumidores a suportar o peso do incremento do preço do petróleo. Ao nível das previsões globais macroeconómicas, depois do conflito do Irão, verifica-se uma descida ao nível das projeções de crescimento económico. No caso dos Estados Unidos a previsão em fevereiro estava num crescimento de 2,4% e atualmente situa-se em 2,1% enquanto que a China passou nos mesmo períodos de um crescimento previsto de 5% para 4,8%.
A gestora assinalou também as diferenças existentes a vários níveis entre as guerras entre Rússia e Ucrânia e no Médio Oriente. Nesse particular a guerra entre a Rússia e Ucrânia trouxe preços muitos mais elevados ao nível do gás natural. No que concerne ao preço do gás natural, para o mercado europeu, chegou a superar os 300 euros por megawatt hora, durante a guerra entre Ucrânia e Rússia, enquanto que o conflito no Médio Oriente fez o preço superar os 50 euros por megawatt hora.
Aquando da guerra entre Rússia e Ucrânia as taxas de inflação eram também mais elevadas. Em 24 de fevereiro de 2022 na União Europeia estavam em 7,5%, na Zona Euro estavam em 5,1%, e no Reino Unido fixavam-se em 5,5%. Enquanto que a 27 de fevereiro deste ano a União Europeia tinha uma inflação de 2,4%, na Zona Euro ficava em 1,9% e o Reino Unido estava nos 3%.
Os Rendimento dos títulos do Estado a 10 anos eram mais baixos na altura em que se iniciou a guerra entre Rússia e Ucrânia face ao que existem por altura do início do conflito no Médio Oriente. Em 24 de fevereiro de 2022 os da União Europeia ficavam em 1,96%, os da Zona Euro eram de 0,17% e os do Reino Unido estavam em 1,44%. Em 27 de fevereiro de 2026 os da União Europeia estavam em 3,93%, os da Zona Euro fixavam-se em 2,64%, e os do Reino Unido estavam em 4,23%.
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