A carregar agora

Noruega lidera ranking mundial de prosperidade pela primeira vez, segundo novo índice da HelloSafe

Noruega lidera ranking mundial de prosperidade pela primeira vez, segundo novo índice da HelloSafe

A plataforma de comparação financeira HelloSafe publicou a edição 2026 do seu HelloSafe Prosperity Index, um ranking que avalia a prosperidade de 31 economias avançadas com base em cinco indicadores oficiais — PIB per capita em paridade de poder de compra, Rendimento Nacional Bruto (RNB), Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), desigualdade de rendimentos e taxa de pobreza relativa, com dados provenientes do FMI, do Banco Mundial, do PNUD e da OCDE.
A Noruega assumiu o primeiro lugar na Europa, seguida pela Irlanda e pelo Luxemburgo.
A Noruega ocupa o primeiro lugar mundial pela primeira vez, com uma pontuação de 77,65 em 100, seguida da Irlanda (75,06) e do Luxemburgo (74,39), que perde a liderança que detinha desde a criação do índice.
A Noruega combina o RNB per capita mais elevado do painel — 98.170 dólares por habitante, segundo o Banco Mundial — com um IDH de 0,970, co-primeiro mundial a par da Suíça, e uma taxa de pobreza relativa de 11%. É precisamente esta conjugação entre potência económica e equidade social que, segundo a metodologia do índice, justifica a subida ao topo.
A segunda posição da Irlanda exige leitura cuidadosa. O seu PIB per capita em PPC (Paridade do Poder de Compra), de 150.865 dólares, está inflacionado pelos lucros de multinacionais como a Apple, a Google e a Pfizer, registadas em território irlandês — uma diferença que ultrapassa os 70.000 dólares per capita face ao rendimento real das famílias. O índice recorre ao RNB para corrigir esse enviesamento: com 80.650 dólares per capita, o rendimento efetivo das famílias irlandesas coloca o país no 7.º lugar mundial nesse indicador.
Estados Unidos fora do top 10: a riqueza que não se distribui
Os Estados Unidos ficam em 17.º lugar, com uma pontuação de 43,39. Apesar de deterem o 3.º PIB per capita do painel, apresentam uma taxa de pobreza relativa de 18% segundo a OCDE — a mais elevada de todo o ranking — e níveis de concentração de rendimentos entre os mais altos das economias avançadas analisadas. Para a HelloSafe, “um país em que quase um adulto em cada cinco vive abaixo do limiar de pobreza relativa não pode figurar entre as dez sociedades mais prósperas do mundo numa medida equilibrada.”
No estudo a plataforma criada para comparar os melhores produtos financeiros e de seguros, bem como as despesas do dia-a-dia, explica porque é que os Estados Unidos não estão no top 10 dos países mais ricos do mundo. “O nosso índice mede a prosperidade para o conjunto da população, não apenas a produção económica agregada. Os Estados Unidos apresentam 18% de pobreza relativa segundo a OCDE, a taxa mais elevada do painel, e rendimentos muito concentrados. A riqueza americana é real, mas profundamente desigual. Um país em que quase um adulto em cada cinco vive abaixo do limiar de pobreza relativa não pode figurar entre as dez sociedades mais prósperas do mundo numa medida equilibrada”, refere a plataforma.
Qatar: riqueza bruta, fraco desenvolvimento humano
O Qatar, com um PIB em PPC de 131.402 dólares per capita, figura apenas em 11.º lugar: apresenta o IDH mais baixo de todo o painel (0,886) e rendimentos muito concentrados, o que penaliza a sua posição apesar da riqueza económica bruta.
HelloSafe Prosperity Index 2026 cruza cinco indicadores oficiais para ir além do PIB e medir a riqueza real das nações. A plataforma explica ainda que a construção da pontuação atribui um peso de 30% ao PIB per capita em PPC, 20% ao RNB, 20% ao IDH, 15% à desigualdade de rendimentos e 15% à taxa de pobreza relativa. Mas os autores reconhecem limitações, nomeadamente dados de desigualdade desatualizados para países como o Qatar (dados de 2007) ou o Japão (2013), e estimativas da taxa de pobreza para economias que não participam nos inquéritos da OCDE.
O índice cobre ainda painéis regionais para África — liderado pelas Seicheles —, América Latina — onde o Uruguai ocupa o primeiro lugar — e Ásia, encabeçada por Singapura.
A HelloSafe diz que os seguintes países foram excluídos por falta de dados suficientes e fiáveis: Andorra, Coreia do Norte, Cuba, Liechtenstein, Mónaco, Sudão do Sul e Taiwan. Os microestados (Liechtenstein, Mónaco) foram excluídos porque os seus dados não são representativos de uma economia nacional comum.
O ranking de 2026 publicado na plataforma não tem dados visíveis sobre Portugal. Mas tendo em conta a metodologia onde ficaria Portugal no ranking?
A título de comparação, os países mais próximos de Portugal nos indicadores económicos são a Espanha (22,30 pontos, 19.º europeu) e a Itália (25,22, 18.º europeu). Portugal está claramente acima de ambos no IDH (0,890 versus os cerca de 0,850 e 0,870 de Espanha e Itália), tem um coeficiente Gini ligeiramente superior ao de Espanha mas uma taxa de pobreza semelhante.
O coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade de rendimentos numa população. Vai de 0 a 100 (ou de 0 a 1) em que 0 significa igualdade perfeita — toda a gente ganha exatamente o mesmo e 100 significa desigualdade absoluta — uma única pessoa concentra todo o rendimento do país.
A estimativa razoável é que Portugal se situaria entre 21.º e 23.º no ranking europeu, algures entre Espanha e Malta (34,40), provavelmente com uma pontuação na ordem dos 25–32 pontos — o que o colocaria no segmento de “prosperidade baixa a intermédia” segundo os critérios da HelloSafe (30–50 pontos).

Share this content:

Publicar comentário