Pedro Santa Clara: “não quero lançar nenhum movimento”
Pedro Santa Clara, o carismático professor catedrático de Finanças da Nova SBE que trouxe e implementou em Portugal os projetos educativos 42 e TUMO, esclarece ao Jornal Económico que não está a lançar um movimento político.
“Não quero lançar nenhum movimento, apenas partilhar um sentimento de revolta, na esperança de que outros se revejam nele e que, ao percebermos que somos muitos, possamos ganhar alento para os projetos que fazemos”, afirmou esta terça-feira, 21, questionado pelo JE.
A dúvida ganhou tração a partir de um texto que Pedro Santa Clara publicou dia 19 de abril (domingo) na rede social LinkedIn intitulado “Manifesto contra o imobilismo”.
Escreve o professor que “há demasiado tempo” que Portugal “definha sob o jugo implacável do imobilismo. Não se trata de uma paralisia acidental, nem de um mero revés da história”.
Aponta o dedo à “inépcia pública”, à “asfixia fiscal”, ao “labirinto Kafkiano dos licenciamentos” e à “obsessão cega pela regulação”. “Não são falhas ou ineficiências do sistema. Elas são o sistema”, acusa, adiantando:
“São as trincheiras cavadas pelos guardiões do passado e pelos rentistas do presente – funcionários que têm de justificar a sua existência, sindicatos que não ligam aos desempregados, empresas sem concorrência, mas com subsídios – para impedir qualquer vislumbre de mudança”.
Várias forças alimentam o status quo. “Ensina-se a desconfiar da tecnologia, diaboliza-se o capitalismo e idolatra-se o setor público como a única bússola moral e garante da salvação”. Esta narrativa, escreve Pedro Santa Clara, funciona “como o travão de emergência que é acionado imediatamente contra qualquer rasgo de audácia, contra qualquer centelha de inovação”.
“A tecnologia é o nosso último reduto livre, o último jogo de soma infinita. É o lugar onde ainda somos capazes de criar valor a partir do nada. É aí, e só aí, que a verdadeira prosperidade se gera e multiplica”.
Em todos os outros setores, educação, saúde, imobiliário, energia, transportes, “a mão pesada do imobilismo intervém”.
Consequência?
“Estamos a condenar os nossos filhos a esgotaram-se em lutas vãs pelas migalhas que deixamos para trás, em vez de lhes entregarmos as ferramentas para construírem impérios debaixo e estrelas. Ou, então, a condená-los a emigrar para paragens mais favoráveis”, afirma.
Por fim, lança 0 apelo: “Rompamos a cortina da estagnação. Desmantelemos o altar onde se venera a burocracia. Exijamos o fim imediato da asfixia regulatória (…) Que a nossa rebelião seja a inovação. Que a nossa revolução seja o crescimento económico. Destruamos o imobilismo e devolvamos a esta geração, e a todas as que se seguem, o direito inalienável de voltar a descobrir o caminho para a Índia. Basta pum basta! Abaixo os burocratas e rentitas! Morram os imobilistas, morram! Pim!”.
No LinkedIn, as reações, comentários e partilhas ao texto continuam a multiplicar-se, indicando que possa vir a ganhar força como vaga de fundo para mais qualquer coisa.
Pedro Santa Clara esclarece ao JE que não quer lançar um movimento e que o texto é também “uma revolta contra os burocratas e os rentistas. Os imobilistas, em geral”. “É bom que sintam que há um país que os despreza profundamente e os responsabiliza pelo atraso de vida. Que as pessoas não se deixam enganar pelas motivações piedosas e percebem os motivos ulteriores”, concretiza.
Além de carismático e inspirador, Pedro Santa Clara é um fazedor. Na área da educação, não há ninguém como ele. Professor catedrático de Finanças na Nova SBE, liderou o projeto do novo campus de Carcavelos, um investimento de cerca de 50 milhões de euros, à época, e a grande expansão e internacionalização da Escola, a mais bem sucedida de sempre em Portugal.
Em 2020, fundou, numa antiga tipografia da Penha de França, em Lisboa, a 42 Lisboa, que, entretanto, mudou para o Beato Innovation District. Esta escola de programação de vanguarda abriria depois também na cidade Invicta.
Mais tarde, Pedro Santa Clara lançou no país o TUMO Center for Creative Technologies, que já opera em Coimbra (2023), Lisboa (2024) e Porto (2025). O projeto foi distinguido em 2025 com o WISE Prize for Education, um dos mais prestigiados prémios internacionais na área da educação, atribuído pela Qatar Foundation, conhecido como o “Nobel da Educação”.
Tanto a 42 Lisboa e Porto com os TUMO de Coimbra, Lisboa e Porto foram financiados por empresas e fundações e são gratuitos para os estudantes.
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