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Pirotecnia exige diálogo após alerta de “Verão terrível”

Pirotecnia exige diálogo após alerta de “Verão terrível”

O recente alerta do Ministro da Administração Interna (MAI) sobre a previsão de um “Verão terrível” no que toca a incêndios florestais fez disparar o sinal de alarme na Associação Nacional de Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE). O setor teme que este discurso sirva de pretexto para a aplicação de medidas proibitivas generalistas que, à semelhança de anos anteriores, impedem a atividade pirotécnica de forma indiscriminada.
A principal crítica da ANEPE reside na falta de distinção entre o uso ilegal de foguetes e a atividade profissional licenciada. A associação recorda que, ainda este mês, o especialista Domingos Xavier Viegas afirmou no Parlamento que a pirotecnia profissional tem tido um peso marginal na origem dos fogos.
“Não existe relação entre a pirotecnia devidamente licenciada e os incêndios rurais”, defende a associação, sublinhando que as empresas operam sob fiscalização apertada e regras rigorosas.
Lina Guedes, Presidente da ANEPE, é perentória: “Não é aceitável que um setor inteiro continue a ser penalizado com base em perceções que não encontram respaldo na evidência científica”. A dirigente alerta para a asfixia económica das empresas, que “não aguentam mais um Verão parado e sem receber nenhum apoio”, uma situação que diz ser exclusiva deste setor.
A associação revela ainda um clima de “silêncio” por parte do Executivo. Desde agosto de 2025 que a ANEPE solicita audiências ao Primeiro-Ministro e ao Ministro da Administração Interna, mas até agora não obteve qualquer resposta.
O comunicado da ANEPE surge em resposta ao ministro da Administração Interna que esta semana fez um apelo “muito sério” aos portugueses para que se preparem para um “verão terrível” e colaborem, desde já, na limpeza de terrenos e áreas florestais para minimizarem o risco de incêndio.
“O verão vai ser terrível, pode ser muito difícil, há fatores novos, extraordinários, negativos, e, por isso, eu peço, em nome de todos, que cada um possa fazer o seu trabalho. O tempo de preparação, de limpeza, de identificação de dificuldades é agora, este é o momento oportuno”, disse Luís Neves.
O governante falava aos jornalistas no final da inauguração da sede do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela, na Guarda.
Face à intenção do Governo de preparar o verão com antecedência, a ANEPE exige ser incluída no processo de decisão. O setor apela a que as medidas sejam “informadas, proporcionais e sustentadas em dados”, evitando a repetição de “erros do passado” que paralisam a atividade legal sem impacto real na prevenção de incêndios.

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