Conflito no Médio Oriente pode levar a um aumento de 8,5% do preço dos produtos agrícolas
O conflito no Médio Oriente já dura há dois meses e já tem tido um impacto significativo no preço do petróleo e seus derivados, que pode vir a afetar o preço dos bens. As previsões da Crédito y Caución referem que os principais produtos agrícolas base podem ter uma subida de preço de 8,5% este ano.
Desde o início do conflito que a seguradora espanhola tem apontado para dois cenários, um que prevê um acordo de paz rápido e o fim do bloqueio do Estreito de Ormuz este mês e outro onde se prevê uma escalada do conflito, com o encerramento do estreito durante seis meses.
Em ambos os cenários a seguradora centra as suas preocupações nos setores mais afetados pela sua dependência de petróleo ou de matérias-primas derivadas. De acordo com as suas previsões, os fertilizantes devem ter uma subida de preço, e o aumento dos preços da energia vai ter um impacto em todas as fases de produção do setor agroalimentar.
Perante estas previsões, a seguradora aponta para um aumento de 8,5% no preço médio global dos principais produtos agrícolas base, para este ano.
O setor dos transportes é um dos mais afetados, principalmente o transporte marítimo. Um aumento de 50% dos preços do petróleo pode elevar os custos do transporte marítimo entre 15% e 20%, com as economias asiáticas a serem as mais afetadas.
Já no transporte terrestre, o conflito levou a um agravamento de uma situação já difícil, com falta de mão de obra e altos salários que comprimem às margens comerciais.
A situação no Estreito de Ormuz não está apenas a perturbar o fornecimento de petróleo, mas também o de metais essenciais para setores estratégicos, como é o caso do alumínio. A segurada aponta que a perda deste fornecimento poderia causar uma “grande crise global de preços. Mesmo que a guerra acabasse rapidamente, reiniciar a produção estagnada pode demorar meses”.
As principais economias afetadas por este conflito são as do Médio Oriente, devida à sua dependência das vendas de combustíveis fósseis, químicos e metais. Contudo, a Europa e a China também vão ser afetadas, devido à sua dependência de gás e petróleo do Golfo.
As previsões da seguradora revelam que a indústria transformadora na zona euro pode contrair 0,2% este ano, e que pode mesmo chegar a atingir 1,9% no cenário mais pessimista.
A nível global este conflito tem-se traduzido num aumento exponencial do preço dos combustíveis e do gás, o que já tem sido refletido no preço dos alimentos, e numa subida da inflação. A segurada afirma que “se os bancos centrais aumentarem as taxas de juro para aliviar a pressão inflacionária, os custos de financiamento aumentam. Desta forma, é gerada uma reação em cadeia com grande impacto na saúde financeira das empresas”.
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